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Rio volta a ter água corrente após mais de um século de barragens e impressiona

Rio teve seu curso profundamente alterado a partir de 1918, com a construção da primeira de quatro grandes barragens hidrelétricas

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Rio passou por uma obra de recuperação • Divulgação

Os rios desempenham papel essencial no equilíbrio ambiental, sustentando ecossistemas, fornecendo recursos naturais e garantindo a sobrevivência de milhares de espécies. Nos Estados Unidos, um projeto considerado a maior restauração fluvial da história do país vem chamando atenção ao devolver o fluxo natural ao rio Klamath, após mais de um século de intervenções industriais.

Localizado na Costa Oeste norte-americana, o rio teve seu curso profundamente alterado a partir de 1918, com a construção da primeira de quatro grandes barragens hidrelétricas. As estruturas foram erguidas para ampliar a geração de energia, mas acabaram provocando impactos ambientais severos ao longo das décadas.

As barragens interromperam o fluxo natural de sedimentos e bloquearam o acesso de peixes a mais de 640 quilômetros de habitat. Com isso, o Klamath deixou de ser um dos rios mais produtivos para o salmão na região e passou a registrar água mais quente, estagnada e, em alguns períodos, considerada tóxica.

O principal impacto foi sentido pelo salmão Chinook, espécie migratória que nasce nos rios, segue para o oceano e retorna ao local de origem para reprodução. Sem conseguir ultrapassar as barragens, as populações do peixe entraram em declínio, afetando também outros animais e ecossistemas que dependiam da espécie.

A situação começou a mudar em outubro de 2024, quando a última das quatro barragens foi demolida. A retirada das estruturas marcou um momento histórico no processo de recuperação ambiental do rio e simbolizou uma mudança na relação entre desenvolvimento e preservação ambiental.

Poucas semanas após a remoção, pesquisadores já identificaram sinais de regeneração no ecossistema. O salmão Chinook voltou a subir o rio por áreas que permaneciam inacessíveis há mais de 100 anos. Ovos da espécie também foram encontrados em afluentes onde os peixes não eram vistos há décadas.

Segundo cientistas, o retorno está ligado ao forte instinto migratório do salmão, capaz de fazê-lo encontrar novamente os locais históricos de reprodução.

Além do impacto ambiental, a recuperação do rio também representa um marco cultural para povos indígenas da região, como as comunidades Yurok, Karuk e Hoopa. Durante anos, os grupos defenderam a retirada das barragens e associam o retorno do salmão à recuperação de tradições, cerimônias e modos de vida interrompidos ao longo de gerações.

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