Belo Horizonte
Itatiaia

Desaparecimento de estrela da TV que chocou os EUA completa 30 anos

Apresentadora de TV desapareceu há 30 anos e nunca mais foi vista

Por
Jodi Huisentruit_apresentadora
Jodi Huisentruit, apresentadora americana que desapareceu a caminho do trabalho • Reprodução

Jodi Huisentruit, apresentadora de TV em Mason City, Iowa, desapareceu em 27 de junho de 1995 e nunca mais foi vista. Ela trabalhava no noticiário da manhã e sempre chegava cedo, por volta das 3h da manhã, mas naquele dia, se atrasou. Ao ser acordada pelo produtor, disse: “Vou já para aí”.

Jodi morava sozinha em um pequeno apartamento, a cerca de 1,5 km do trabalho. Nascida em Long Prairie, Minnesota, era a caçula de três irmãs e gostava muito de esportes, principalmente golfe. Antes de ser jornalista, trabalhou como comissária de bordo e dizia que preferia estar “no ar, não no ar”.

Quando ela não apareceu no trabalho, a equipe achou que ela tinha voltado a dormir. Às 6h, o produtor apresentou o jornal no lugar dela e, como ela continuava desaparecida, a polícia foi chamada para verificar.

No local, a polícia encontrou o carro dela e sinais de luta. “Havia sinais claros de um ataque, como a chave do carro torta, o que indica que ela provavelmente foi atacada por trás com muita força”, disse a jornalista Caroline Lowe ao G1. “No chão estavam espalhados itens dela, como os saltos vermelhos, o secador de cabelo e brincos.”

“Marcas de arrasto foram vistas no estacionamento”, disse Brian Mastre, colega de Jodi na KIMT-TV. “E itens da bolsa dela estavam espalhados, porque ela estava atrasada.”

O prédio não tinha câmeras de segurança e não houve testemunhas. Jodi tinha 27 anos e nunca mais foi vista.

Até hoje, um grupo de voluntários, como Caroline Lowe, segue investigando o caso. Buscas e novas pistas continuam, mesmo após 30 anos.

Telefonemas e medo pela segurança

Antes de desaparecer, Jodi demonstrou preocupação com a própria segurança. Nove meses antes, ela registrou um boletim de ocorrência sobre um homem que a seguia em uma caminhonete branca.

Ela também fez aulas de defesa pessoal. Um dia antes do desaparecimento, jogou golfe em um evento beneficente e disse a amigos que pensava em trocar de número de telefone por causa de ligações de ameaça.

“Ela tinha a rotina exposta, a mesma todos os dias. Seu telefone e endereço estavam na lista telefônica. Era fácil para um perseguidor”, contou Lowe.

Amigo negou envolvimento

Muitos foram investigados ao longo dos anos, incluindo John Vansice, 22 anos mais velho, amigo de Jodi e que organizou a festa de aniversário dela dias antes.

Ele disse que Jodi esteve em sua casa na noite anterior ao desaparecimento, onde assistiram vídeos da festa.

“Desde o primeiro dia, John Vansice disse que se importava com Jodi e sempre negou qualquer envolvimento no desaparecimento”, afirmou Lowe.

Em 2017, a polícia colocou rastreadores em dois carros ligados a Vansice e coletou DNA, digitais e impressões da palma da mão dele. As informações foram analisadas, mas não levaram a resultados concretos. Vansice morreu em dezembro de 2024, sem ser acusado formalmente.

Nova linha de investigação

A polícia ainda guarda evidências, como uma impressão de palma na lateral do carro de Jodi. O responsável por ela nunca foi identificado.

Em outubro, a polícia fez buscas em uma fazenda em Minnesota, mas só encontrou ossos de animais. “Não encontramos nenhum resto humano”, disse o chefe de polícia Jeff Brinkley ao CNN.

A polícia também voltou a investigar Christopher Revak, ligado a outros crimes contra mulheres e cuja ex-esposa morava em Mason City na época do sumiço de Jodi. Revak morreu em 2009, preso por outro assassinato.

“É algo que estamos analisando”, disse Brinkley. “Só podemos avançar quando tivermos evidências claras.”

A busca continua

O jornalista Brian Mastre, que trabalhou com Jodi, lembra do impacto do caso. Ele guardou o roteiro do telejornal do dia do desaparecimento e o lê de vez em quando. “Talvez alguém lembre de algo, talvez traga alguma pista”, disse.

Ele conta que foi difícil cobrir a notícia do sumiço da própria colega. “Era uma loucura, tentando entender o que aconteceu, com a imprensa, o FBI e a polícia entrevistando a gente, enquanto tentávamos escrever o jornal”, disse.

Caroline Lowe, hoje investigadora independente, participa do grupo “Find Jodi”, criado em 2003 por jornalistas que cobrem o caso. Eles colocam outdoors em Mason City em datas importantes, como o aniversário dela.

Neste ano, o outdoor diz: “30 anos. Já passou da hora.”

Na época do desaparecimento, uma menina de 11 anos chamada Kristen atendeu o telefone quando a polícia ligou para avisar. “Me pediram para chamar meu pai e minha mãe”, contou ela ao CNN. “Lembro do rosto do meu pai mudando quando ele atendeu. Sabia que não era boa notícia.”

“Com 11 anos, eu não entendia o que significava um adulto sumir”, disse. Hoje, ela administra uma página sobre o caso. “Você não segue em frente, isso vira parte de você.”

O chefe de polícia segue otimista. “Com as circunstâncias certas, pode ser resolvido a qualquer momento”, disse Brinkley. “Pode ser DNA, uma confissão, há centenas de possibilidades.”

Por

Izabella Gomes se graduou em Jornalismo na PUC Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias de Educação e Saúde.