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Erva-das-pampas avança por Portugal e especialistas alertam para riscos ambientais

Cortadéria está em 208 municípios portugueses; conheça os riscos ambientais e de saúde, como identificar a espécie

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Cortadéria se espalha silenciosamente por Portugal
Cortadéria se espalha silenciosamente por Portugal • Reprodução

A cortadéria se espalha silenciosamente por Portugal. Com suas plumas vistosas, que costumam chamar atenção em jardins e às margens de estradas, a espécie conhecida como erva-das-pampas já está presente em pelo menos 208 municípios do país e figura entre as dez plantas invasoras com maior distribuição em território continental.

O que parece apenas ornamental, porém, esconde um problema ambiental. Especialistas alertam que a invasão já está instalada e avança rapidamente, enquanto a resposta das autoridades ainda é considerada insuficiente diante da dimensão do desafio. A cada ano de atraso na intervenção, o controle se torna mais difícil, caro e, em alguns casos, praticamente impossível.

O que é a cortadéria e como identificá-la

A cortadéria (Cortaderia selloana) é originária da América do Sul e se destaca pelas grandes plumas ornamentais. A planta pode atingir grandes dimensões e chama atenção pela aparência exuberante durante o período de floração.

As características visuais facilitam a identificação da espécie. As plumas são frequentemente encontradas junto a rodovias, em áreas costeiras e nas margens de cursos d'água. A distribuição já registrada em território continental português demonstra a capacidade de adaptação da cortadéria a diferentes ambientes.

Onde a erva-das-pampas aparece com mais frequência

A presença da cortadéria não se limita a ambientes naturais. A espécie também é encontrada em propriedades privadas, onde ainda é cultivada como elemento decorativo em jardins e quintais.

Parques públicos, espaços administrados por câmaras municipais e juntas de freguesia também abrigam exemplares da planta. O uso ornamental em áreas urbanas e periurbanas contribui para o problema, já que facilita a dispersão de sementes para regiões próximas.

Por que a cortadéria é considerada invasora

Uma espécie invasora apresenta características que permitem sua rápida colonização de novos territórios, competindo com plantas nativas e alterando o equilíbrio dos ecossistemas. A cortadéria se enquadra nessa definição.

A elevada capacidade de propagação é um dos principais fatores de preocupação. Cada planta adulta produz grande quantidade de sementes, que podem ser facilmente dispersadas pelo vento e pela água.

A dimensão alcançada pela invasão torna ainda mais importante a identificação e a eliminação de novos focos antes que eles atinjam proporções difíceis de controlar. Estudos recentes sobre a expansão da espécie reforçam a necessidade de medidas rápidas.

Riscos para a saúde pública

Além dos impactos ambientais, a cortadéria também pode representar um problema de saúde pública. O pólen produzido pela planta é alergénico e pode desencadear reações em pessoas sensíveis.

Em regiões de clima mediterrânico, a floração tardia da espécie cria uma segunda época de exposição ao pólen durante o outono. A característica prolonga o período de risco para pessoas alérgicas e pode agravar problemas respiratórios em populações vulneráveis.

O que diz a legislação portuguesa

O regime nacional de prevenção e gestão das espécies exóticas invasoras foi estabelecido por decreto-lei em 2019. A legislação inclui a Cortaderia selloana na Lista Nacional de Espécies Invasoras.

O enquadramento legal proíbe práticas como a detenção, o cultivo, o comércio, o transporte e a utilização da cortadéria como planta ornamental.

A legislação também prevê um sistema de vigilância e a comunicação de novas ocorrências às autoridades competentes. Planos de ação para o controlo, a contenção ou a erradicação das espécies invasoras devem ser elaborados de acordo com a gravidade da ameaça e a dificuldade de intervenção.

Plano de ação está em fase de implementação

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) tem praticamente concluído um plano de ação específico para a cortadéria. Especialistas, no entanto, criticam a demora na publicação e implementação do instrumento.

Segundo a professora Hélia Marchante, da Escola Superior Agrária da Universidade Politécnica de Coimbra e especialista em plantas invasoras, o principal problema já não é a falta de conhecimento científico, mas a ausência de uma resposta suficientemente abrangente.

“Cada ano em que se atrasa a intervenção torna o problema mais caro, mais difícil e praticamente impossível de travar”, alerta.

Projeto internacional combate a expansão da espécie

O projeto LIFE COOP Cortaderia coordena esforços entre instituições de Portugal, Espanha e França para combater a expansão da espécie invasora. A iniciativa reúne conhecimento científico e experiências práticas de controlo em diferentes contextos.

Os investigadores defendem uma atuação coordenada entre a administração central, municípios, gestores de áreas protegidas e outras entidades públicas. A articulação entre diferentes níveis de governo é considerada fundamental para aumentar a eficácia das ações de controle.

Como a população pode ajudar

A participação da população também é importante no combate à cortadéria. O reconhecimento da espécie e a adoção de medidas preventivas por proprietários de terrenos e jardins podem contribuir para conter a expansão.

Entre as recomendações estão evitar o uso da erva-das-pampas como planta ornamental, controlar ou eliminar exemplares existentes em propriedades privadas e comunicar novas ocorrências às entidades competentes.

A identificação precoce permite uma intervenção rápida, antes que a planta se estabeleça e produza sementes. A estratégia é considerada pelos especialistas mais eficaz do que tentar controlar áreas já amplamente ocupadas pela espécie.

Eliminação precoce é estratégia de combate

A estratégia defendida pelos investigadores prioriza a localização e a eliminação rápida de novos focos, em vez de concentrar os esforços apenas em áreas onde a cortadéria já ocupa grandes extensões.

A mudança considera a relação entre custo e eficácia. Eliminar plantas isoladas ou pequenos grupos antes da fase reprodutiva exige menos recursos e apresenta maior possibilidade de sucesso do que tentar erradicar a espécie em áreas densamente colonizadas.

“Cada planta que se deixa produzir sementes é uma fábrica de novas invasões”, afirma Hélia Marchante. A declaração resume a lógica da estratégia de contenção baseada na identificação e eliminação precoce dos focos.

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