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Como a inclusão digital transforma a vida de pessoas 60+ e previne golpes

Descubra estratégias práticas para dominar tecnologia, conquistar autonomia digital e proteger-se de fraudes online na terceira idade

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Inclusão digital idosos
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Durante a pandemia de Covid-19, milhares de pessoas acima de 60 anos se viram diante de um desafio inesperado: tarefas cotidianas como pagar contas, marcar consultas médicas ou conversar com amigos passaram a depender de celulares e computadores. Maria Helena e Tarcísio Cabral, ambos com 70 anos, viveram essa realidade de forma intensa.

Sem filhos para auxiliá-los nas questões tecnológicas, o casal de engenheiros eletricistas aposentados buscou cursos especializados para aprender a dominar essas ferramentas. O processo não apenas trouxe autonomia e confiança, mas também inspirou uma missão: compartilhar esse conhecimento com outras pessoas da mesma geração. Dessa experiência nasceu o projeto 60 Demais, iniciativa focada na inclusão digital de pessoas 60+.

O desafio da adaptação tecnológica na terceira idade

Para pessoas da terceira idade, a transição para um mundo onde serviços essenciais dependem de tecnologia representou mudança significativa.

Como explica Maria Helena: "Antes da era digital, essas pessoas eram super independentes. Aí chega o celular e elas passam a depender dos outros, porque tudo está online."

Essa dependência gera consequências emocionais. Segundo a criadora do 60 Demais: "Isso cria uma ansiedade, uma tensão. A pessoa passa a viver com estresse e com medo de errar."

Obstáculos reais que dificultam o aprendizado

Segundo Maria Helena e Tarcísio, o maior obstáculo não está na tecnologia propriamente dita. O verdadeiro desafio reside no medo de errar e na vergonha de fazer perguntas.

Muitas pessoas dessa faixa etária procuram auxílio após experiências negativas com familiares. A falta de paciência de quem já nasceu no mundo digital dificulta a transmissão de conhecimento para quem está aprendendo pela primeira vez.

Como explica Maria Helena: "O problema não é a pessoa, mas a forma de ensino. A forma de uma pessoa com mais de 60 anos aprender é diferente da de um jovem, que nasceu no mundo digital. E é esse trabalho que a gente faz."

O vocabulário digital como barreira de entrada

Termos técnicos comuns no universo digital representam outra dificuldade importante. Palavras como "link" e "PDF" podem soar incompreensíveis para quem teve contato limitado com tecnologia.

A solução encontrada pelo casal envolve adaptação de linguagem. Em vez de termos técnicos, eles utilizam expressões visuais e descritivas que fazem sentido imediato.

Exemplos práticos incluem "símbolo da casinha" para identificar a página inicial de aplicativos e "símbolo da lupa" para ferramentas de busca. Essa simplificação torna o aprendizado mais acessível e menos intimidador.

Reconquista da autonomia através da tecnologia

Superar as barreiras digitais representa muito mais que aprender a usar um celular. Significa recuperar a independência perdida com a digitalização dos serviços.

Como destaca Maria Helena: "A pessoa não precisa mais chamar o filho para marcar uma consulta online ou pagar conta. Isso muda a vida. Reconquista a autonomia de viver sem depender de ninguém".

Segundo o casal, ao superar o bloqueio digital, muitos alunos sentem-se mais encorajados e com a autoestima renovada para iniciar novos desafios.

O projeto 60 Demais e seu alcance nas redes sociais

A iniciativa do casal ganhou forma digital através de perfis em redes sociais. O conteúdo educativo é compartilhado diariamente através de vídeos, transmissões ao vivo e publicações didáticas.

Apenas no Instagram, o projeto reúne mais de 350 mil seguidores. O engajamento demonstra a demanda reprimida por conteúdo acessível sobre tecnologia para essa faixa etária.

Além da presença online, Maria Helena e Tarcísio oferecem palestras e cursos presenciais. O foco permanece na alfabetização digital prática e aplicável ao cotidiano.

Golpes digitais e a vulnerabilidade da população 60+

A segurança digital representa preocupação constante dentro da comunidade. O casal estima que aproximadamente 10% das pessoas que os acompanham já foram vítimas de alguma fraude ou tentativa de golpe.

Como explica Maria Helena: "Às vezes a pessoa cai no golpe porque não sabe algo básico, como salvar contatos. Só vê a fotinho de um familiar em um número desconhecido e acredita que está falando com aquela pessoa. Aí acaba caindo na conversa do golpista."

Entre os casos mais relatados pelos seguidores e alunos estão falsas promoções, clonagem de perfis e golpes em que criminosos se passam por funcionários de bancos.

Estratégias práticas para evitar fraudes online

Maria Helena e Tarcísio compartilham orientações essenciais para prevenção de golpes digitais baseadas em casos reais relatados por seus seguidores.

Desconfie de pressão por urgência

Quando alguém exige ação imediata e instrui você a não desligar ou consultar outras pessoas, isso constitui sinal de alerta. Criminosos usam a pressa e a desatenção como aliadas da fraude.

Atenção a ofertas milagrosas

Promoções muito atrativas, descontos excessivos e pagamentos apenas via Pix são indícios de fraude.

Importância de salvar contatos

Armazenar corretamente os números de telefone de familiares e amigos constitui medida básica de proteção. Muitos golpistas utilizam perfis falsos com fotografias de pessoas próximas às vítimas para solicitar dinheiro.

Sem contatos salvos, torna-se difícil identificar se a mensagem realmente vem da pessoa conhecida ou de um criminoso usando imagem roubada.

Nunca compartilhe sua tela

Golpistas frequentemente se apresentam como funcionários de bancos e solicitam que a vítima compartilhe a tela do celular para "auxiliar" em algum procedimento. Isso permite que eles vejam senhas e transfiram dinheiro.

Cuidado ao clicar em links

Links enviados por e-mail e mensagens representam método comum para roubo de dados ou invasão de dispositivos. Esse é um método muito usado para roubar dados ou acessar o celular das vítimas.

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