Chatbots de IA já influenciam emoções e levantam alerta entre psicólogos
Especialistas defendem participação no desenvolvimento de inteligências artificiais

O avanço dos chatbots de inteligência artificial já começa a transformar a maneira como milhões de pessoas lidam com emoções, solidão e saúde mental. Especialistas alertam que essas ferramentas deixaram de ser apenas assistentes digitais para assumir um papel emocional na vida de muitos usuários, especialmente adolescentes e jovens.
Segundo dados citados pela reportagem, cerca de um bilhão de pessoas no mundo interagem semanalmente com chatbots de IA para estudar, escrever, organizar tarefas, buscar companhia e até procurar apoio emocional. Nos Estados Unidos, uma pesquisa do Pew Research Center mostrou que 64% dos adolescentes utilizaram chatbots conversacionais em 2025. Quase um terço afirmou usar essas plataformas diariamente, inclusive para tratar de assuntos íntimos e emocionais.
O crescimento desse comportamento levou pesquisadores e profissionais da saúde mental a defenderem uma participação mais ativa de psicólogos no desenvolvimento dessas tecnologias. A preocupação central é o impacto emocional causado pelas conversas prolongadas com inteligências artificiais capazes de simular empatia, compreensão e acolhimento.
Segundo o site de notícias argentino Infobae, especialistas afirmam que muitos usuários acabam criando vínculos afetivos com os chatbots devido à disponibilidade constante, respostas rápidas e sensação de ausência de julgamento. Em alguns casos, as interações podem reforçar crenças, medos e fragilidades emocionais sem o filtro crítico que existiria em uma relação humana ou terapêutica tradicional.
O debate também envolve riscos ligados à dependência emocional e à influência psicológica exercida por sistemas treinados para manter o usuário engajado. Pesquisadores alertam que a IA consegue adaptar respostas com base no comportamento e nas emoções demonstradas durante a conversa, tornando a interação cada vez mais personalizada.
Para psicólogos e estudiosos da área, a presença de profissionais de saúde mental nas equipes que desenvolvem chatbots poderia ajudar a criar limites éticos, protocolos de segurança e mecanismos capazes de identificar situações de vulnerabilidade emocional.
O tema ganha força em meio ao crescimento do uso da inteligência artificial em aplicativos de apoio psicológico e saúde mental digital. O Infobae destaca que muitos usuários relatam procurar essas ferramentas para conversar sobre ansiedade, estresse, inseguranças e sentimentos de solidão.
Especialistas defendem que a tecnologia pode oferecer benefícios importantes, como ampliar o acesso inicial a informações e apoio emocional. No entanto, reforçam que sistemas automatizados não substituem acompanhamento psicológico profissional nem relações humanas reais.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



