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Casal que adotou criança abandonada em país da América Latina em 1985 tem hoje 37 filhos

A experiência de um casal que transformou suas vidas ao acolher 32 crianças, além de cinco filhos biológicos, mostra a logística, os desafios e o legado geracional da adoção em larga escala

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Paul e Jeane Briggs nunca imaginaram que se tornariam pais de 37 crianças quando se casaram em 1976 • Reprodução People

Paul e Jeane Briggs nunca imaginaram que se tornariam pais de 37 crianças quando se casaram em 1976. A primeira adoção aconteceu em 1985, no México, quando encontraram uma criança cega e abandonada. Desde então, o casal construiu uma família numerosa através de adoções consecutivas, sem planejar chegar a esse número específico.

Hoje, 14 dos filhos ainda vivem com o casal em Falling Waters, Virgínia, Estados Unidos. A trajetória deles ilustra um modelo familiar alternativo que depende de rotinas estruturadas, divisão de tarefas e planejamento financeiro. Mais do que números, a história revela como a adoção transforma não apenas as crianças acolhidas, mas também os filhos biológicos que crescem nesse ambiente e decidem replicar o modelo.

A jornada que começou com uma criança abandonada no México

O casal teve cinco filhos biológicos antes de iniciar o processo de adoção. A primeira criança adotada, em 1985, estava abandonada no México e tinha deficiência visual. "Ele estava abandonado", recorda Jeane, referindo-se ao filho que permanece morando com o casal até hoje. Esse primeiro acolhimento marcou o início de uma trajetória que se estenderia por décadas.

Paul, de 71 anos, explica que nunca houve um plano deliberado para formar uma família numerosa. "Nunca tivemos uma conversa sobre querer uma grande família. Nunca falámos em tentar chegar a este número [de filhos] ou àquele. Foi apenas uma série de acontecimentos que nos trouxe até aqui", conta.

Apesar de preferirem atualmente crianças que já não sejam bebés, o casal não descarta a possibilidade de novos acolhimentos. As 32 adoções aconteceram principalmente nos últimos 20 anos, após os cinco filhos biológicos já estarem criados.

Como funciona a rotina diária em uma casa com 14 filhos

Manter uma casa com 14 pessoas morando sob o mesmo teto exige organização rigorosa. O casal desenvolveu um sistema de tarefas que distribui responsabilidades entre todos os membros da família. Cada filho tem atribuições diárias e semanais. As tarefas variam desde colocar guardanapos na mesa durante o jantar até responsabilidades maiores na manutenção da casa.

As compras de supermercado seguem uma rotina estruturada e planejada. Dois dos filhos mais velhos se revezam como assistentes de Jeane, que dedica-se integralmente às atividades domésticas e à criação dos filhos. Esse modelo operacional permite que a família funcione de forma sustentável, mesmo com o número elevado de integrantes. A divisão de trabalho é essencial para que todos participem ativamente do cotidiano familiar.

Os desafios financeiros e o suporte para filhos com deficiência

A manutenção de uma família com 37 filhos depende de fontes múltiplas de recursos. A renda principal vem do salário de Paul e dos benefícios oferecidos pela empresa onde ele trabalha. Mais recentemente, o casal passou a receber apoios do Estado especificamente para três dos filhos que possuem deficiências. Esse suporte governamental complementa o orçamento familiar.

Jeane trabalha como mãe em tempo integral, dedicando-se exclusivamente aos cuidados com a casa e as crianças. Essa configuração permite que Paul mantenha o emprego que sustenta a família numerosa. O equilíbrio financeiro representa um dos maiores desafios práticos enfrentados pelo casal ao longo dessa jornada de múltiplas adoções.

O legado geracional que inspira os filhos a adotarem também

Mary Kate Johnson, uma das cinco filhas biológicas do casal, hoje com 45 anos, seguiu o exemplo dos pais de forma marcante. Ela também construiu uma família através da adoção e atualmente tem 14 filhos adotivos.

Mary Kate mora a poucos metros da casa dos pais, mantendo a proximidade física e emocional com a família de origem. Segundo ela, cada novo membro da família era recebido com entusiasmo genuíno. O exemplo positivo de Paul e Jeane foi tão impactante que influenciou diretamente as escolhas de vida da filha biológica. Esse efeito geracional demonstra como modelos familiares alternativos podem se perpetuar através das gerações.

A continuidade do modelo de adoção pela próxima geração revela o sucesso da experiência vivida por Mary Kate durante sua infância e adolescência.

A transformação de vida na perspectiva de uma filha adotada

Joseph, uma das filhas adotadas por Paul e Jeane, compartilha como a adoção mudou completamente sua trajetória. "Chegar a uma família carinhosa, ter roupa lavada, uma boa cama, comida na mesa, uma casa... foi maravilhoso", recorda. O relato de Joseph ilustra o impacto concreto que uma família estruturada pode ter na vida de crianças que viviam em situação de abandono ou vulnerabilidade. Os elementos básicos — alimentação, moradia adequada, cuidados com vestuário — ganham dimensão transformadora.

Mesmo reconhecendo que a família enfrentou muitas dificuldades ao longo dos anos, Joseph expressa profundo respeito pela forma como os pais conduziram a situação. "Apesar de tudo, tenho o maior respeito pelos meus pais. Eles têm lidado muito bem com a situação, apesar de terem passado por muitas dificuldades", afirma.

A filha adotiva destaca ainda a capacidade de Paul e Jeane de lidar com as diversas situações complexas que surgiram ao longo das décadas. "A forma como viveram, o que viram e como lidaram com todas as situações, é verdadeiramente notável", elogia Joseph.

Por que algumas famílias conseguem abraçar múltiplas adoções

A trajetória de Paul e Jeane revela que famílias numerosas por adoção não nascem de um planejamento inicial, mas de uma sequência de decisões conectadas. O casal não traçou metas numéricas nem estabeleceu um objetivo final de quantos filhos teria. Cada adoção representou uma resposta a circunstâncias específicas — crianças abandonadas, necessidades identificadas, oportunidades de acolhimento. A abertura emocional e a disposição prática para lidar com desafios logísticos foram fundamentais.

A idade atual dos 37 filhos varia entre 10 e 47 anos, mostrando um processo de adoção distribuído ao longo de décadas. Essa amplitude temporal permitiu que o casal desenvolvesse experiência progressiva na gestão familiar. O modelo construído por Paul e Jeane demonstra que estruturas operacionais claras, apoio mútuo entre os membros da família e fontes de renda estáveis são pilares essenciais para sustentar adoções múltiplas ao longo do tempo.

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