Casa em forma de disco voador à venda resgata o legado futurista dos anos 1960
Conheça a mansão Donaldson Futuro, rara casa de 1968 em disco voador resgatada da demolição. Saiba como foi preservada.

Quando o arquiteto Milford Wayne Donaldson descobriu uma estrutura amarela em formato de disco voador abandonada nos fundos do San Diego Design Center, ele sabia que estava diante de algo especial. A casa, projetada pelo finlandês Matti Suuronen em 1968, estava em ruínas e prestes a ser destruída. Donaldson decidiu comprá-la e, em 2004, transportou-a para as montanhas de San Jacinto, na Califórnia.
Agora, aos 83 anos, ele coloca a propriedade à venda por US$ 1,495 milhão (cerca de R$ 8 milhões). A decisão vai além do aspecto financeiro: trata-se de encontrar alguém que valorize a raridade histórica e preserve esse exemplar da arquitetura futurista. A jornada de restauração e o esforço para salvar a construção ilustram os desafios de manter edifícios icônicos vivos.
O conceito original das casas Futuro e seu criador
O arquiteto finlandês Matti Suuronen concebeu a Futuro em 1968 como um chalé de esqui portátil. A ideia era criar uma estrutura que pudesse ser facilmente transportada e instalada em diferentes locações.
A casa possui cerca de 48 metros quadrados e é feita de plástico. Apesar do tamanho compacto, inclui cozinha, banheiro, lareira e uma porta de entrada que se assemelha à escotilha de uma nave espacial.
O design reflete a estética futurista e a fascinação pela ficção científica característica dos anos 1960. A forma de disco voador com janelas arredondadas tornou-se icônica.
O resgate da demolição e o processo de restauração
Donaldson e sua esposa, Laurie, são proprietários da construção desde o final da década de 1970. Ao encontrá-la deteriorada nos fundos de um centro de design em San Diego, o arquiteto optou por adquiri-la para impedir sua destruição.
A restauração da parte externa foi concluída antes do transporte. Em 2004, Donaldson comprou um terreno nas montanhas de San Jacinto por US$ 70 mil e preparou a mudança da estrutura.
O deslocamento exigiu planejamento complexo: um caminhão especial, escolta da Patrulha Rodoviária da Califórnia e um guindaste para posicionar a casa acima das árvores. Segundo o arquiteto, em entrevista ao The Wall Street Journal, cerca de 40 carros acompanharam o veículo durante o trajeto, lembrando uma cena do conto do Flautista de Hamelin.
Por que essas estruturas são raras e valiosas hoje
Estima-se que aproximadamente 100 unidades do modelo Futuro tenham sido construídas ao redor do mundo. Dessas, entre 50 e 60 ainda existem.
A casa foi declarada edifício histórico em janeiro de 2021. Esse reconhecimento oficial reforça sua importância como patrimônio arquitetônico.
Ao longo dos anos, muitas unidades foram comercializadas por valores entre US$ 50 mil e US$ 100 mil, conforme reportado pelo The Wall Street Journal. Donaldson acredita que sua propriedade vale mais por estar em condições de uso e pela história de preservação envolvida.
Os desafios de preservar arquitetura incomum
Donaldson integrou o Conselho Consultivo de Preservação Histórica durante o governo de Barack Obama. Essa experiência reforçou sua compreensão sobre a importância de proteger edificações singulares.
A decisão de vender agora se relaciona com a idade do arquiteto e o desejo de acompanhar pessoalmente o processo. Ele quer evitar que sua esposa precise administrar a negociação após sua morte.
"O melhor é tentar encontrar agora um comprador que realmente aprecie o imóvel", disse Donaldson ao jornal americano. Sua preocupação é que a propriedade não seja adquirida apenas para exploração em plataformas de aluguel por temporada.
Características da mansão Donaldson Futuro em San Jacinto
A estrutura amarela mantém as características originais do projeto de Suuronen. As janelas arredondadas proporcionam iluminação natural e reforçam o visual futurista.
Localizada nas montanhas de San Jacinto, a casa está posicionada acima das árvores, o que exigiu equipamento especializado durante a instalação. O terreno foi escolhido estrategicamente por Donaldson.
Os 48 metros quadrados distribuem-se de forma eficiente, incluindo todos os ambientes essenciais para habitação. A porta de entrada no estilo escotilha é um dos elementos mais marcantes do design.
O futuro da preservação de edifícios históricos portáteis
A busca por um comprador que valorize a história da Futuro reflete um desafio mais amplo: como garantir a preservação de estruturas arquitetônicas incomuns.
O caso da mansão Donaldson Futuro demonstra que manter edifícios icônicos exige mais do que recursos financeiros. Requer comprometimento com o legado histórico e disposição para cuidados contínuos.
A expectativa de Donaldson é que o próximo proprietário compreenda o significado cultural da casa. Ele espera que a venda resulte em preservação de longo prazo, não em exploração comercial de curto prazo.
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