Campo magnético da Terra se moveu mais de 2.250 km e agora obriga sistemas a recalcular rotas
Movimento acelerado em direção à Sibéria levou cientistas a revisar modelos usados por equipamentos em todo o mundo

O campo magnético da Terra está mais presente no cotidiano do que muita gente imagina. Ele orienta bússolas, auxilia sistemas de navegação e serve de referência para diversas tecnologias utilizadas diariamente.
Por isso, quando o Polo Norte magnético muda de posição, modelos que ajudam a localizar rotas e direções precisam ser atualizados para evitar erros de orientação.
Esse campo é gerado pelo movimento de ferro e níquel em estado líquido no núcleo externo do planeta. A circulação desses metais produz correntes elétricas que funcionam como um grande dínamo natural, responsável por criar a proteção magnética que envolve a Terra.
Nas últimas décadas, cientistas observaram uma mudança significativa na posição do Polo Norte magnético.
O fenômeno está relacionado à interação entre duas grandes regiões de fluxo magnético localizadas na fronteira entre o núcleo e o manto terrestre: uma sob o Canadá e outra sob a Sibéria.
Com a diminuição da influência da região canadense, o polo passou a ser atraído com mais intensidade em direção ao território russo.
Da lenta movimentação à corrida rumo à Sibéria
A primeira medição do Polo Norte magnético foi realizada em 1831 pelo explorador britânico James Clark Ross, no Ártico canadense. Durante mais de um século, seu deslocamento ocorreu de forma lenta, variando entre 0 e 15 quilômetros por ano.
Esse comportamento mudou a partir da década de 1990. A velocidade de deslocamento aumentou consideravelmente, alcançando cerca de 50 a 60 quilômetros anuais.
Desde o século XIX, o polo já percorreu aproximadamente 2.250 quilômetros pelo Hemisfério Norte, exigindo revisões constantes dos modelos utilizados para representar o campo magnético terrestre.
O que muda com o WMM2025
Para acompanhar essas alterações, cientistas atualizam periodicamente o World Magnetic Model (WMM), referência internacional utilizada por sistemas que dependem do campo geomagnético. A versão mais recente, denominada WMM2025, entrou em vigor em dezembro de 2024 e permanecerá válida até o final de 2029.
A atualização inclui também uma versão de alta resolução, chamada WMMHR2025, desenvolvida para aplicações que exigem maior precisão. Na prática, esses modelos permitem que equipamentos convertam informações magnéticas em dados de localização confiáveis.
Os impactos são percebidos principalmente na aviação, onde o norte magnético é utilizado na identificação de pistas de pouso; na navegação marítima, especialmente em regiões remotas; em smartphones e sistemas de GPS; além de drones e equipamentos militares que dependem de orientação automática para cumprir rotas precisas.
A desaceleração que chamou a atenção dos cientistas
Embora o deslocamento do Polo Norte magnético tenha acelerado de forma expressiva nas últimas décadas, pesquisadores identificaram recentemente uma redução nesse ritmo.
Estudos apontam que o movimento, que chegou a superar 50 quilômetros por ano, caiu para cerca de 35 quilômetros anuais.
A mudança está associada a transformações profundas no núcleo terrestre, incluindo o alongamento da região magnética localizada sob o Canadá.
O processo diminuiu sua influência sobre a superfície e fortaleceu a atuação da área siberiana. Apesar da desaceleração, os especialistas destacam que a velocidade atual ainda é elevada quando comparada aos padrões históricos.
Por que o campo magnético precisa ser atualizado?
Diferentemente do Polo Norte geográfico, cuja posição é fixa, o Polo Norte magnético está em constante movimento. Como ele depende da dinâmica dos metais líquidos que circulam no interior da Terra, sua localização muda gradualmente ao longo do tempo.
Essa característica torna necessária a atualização frequente de mapas, bússolas digitais e sistemas de navegação. Sem essas correções, pequenos desvios magnéticos podem se acumular e comprometer trajetórias de longa distância, especialmente em operações aéreas, marítimas e técnicas que exigem alto grau de precisão.
O que o fenômeno revela sobre o interior da Terra
O deslocamento do Polo Norte magnético oferece uma rara oportunidade de observar processos que acontecem a milhares de quilômetros abaixo da superfície. Embora o planeta pareça estável externamente, o núcleo continua em constante movimento, alterando lentamente as linhas magnéticas que servem de referência para tecnologias utilizadas em todo o mundo.
Mais do que representar uma ameaça, o fenômeno reforça a importância do monitoramento científico contínuo. À medida que o norte magnético muda de posição, a infraestrutura global precisa acompanhar essas transformações para garantir a precisão de sistemas essenciais de navegação e localização.
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