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Aos 47 anos, Pink comanda vinícola orgânica em fazenda de 100 hectares na Califórnia 

Cantora transformou propriedade rural no Vale de Santa Ynez em negócio sustentável, com certificação orgânica e equipe feminina à frente da produção de vinhos 

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Cantora Pink
Cantora Pink • Gemini

Entre apresentações em arenas lotadas ao redor do mundo, a cantora Alecia Moore dedica parte da rotina aos cuidados com videiras e à elaboração de vinhos no Vale de Santa Ynez, na Califórnia.

Aos 47 anos, ela está à frente da Two Wolves Wine, vinícola que prioriza o cultivo orgânico e a produção artesanal em pequena escala. O projeto vai além da simples associação de imagem a um produto.

A artista participa diretamente das etapas de produção, estudou enologia e construiu um negócio que reflete seus valores de sustentabilidade e equilíbrio com a natureza. A propriedade de 100 hectares também serve como residência para a família e representa um contraponto ao ritmo acelerado das turnês mundiais. 

Da curiosidade ao conhecimento técnico em vinicultura 

A cantora adquiriu a propriedade rural em 2013, durante uma turnê pela Austrália. O terreno já contava com um vinhedo de aproximadamente 10 hectares, e a intenção era transformar o interesse antigo pela enologia em uma atividade produtiva. Para aprofundar o conhecimento sobre vinhos, ela buscou formação especializada. Matriculou-se em cursos pela Wine & Spirit Education Trust (WSET) e pela extensão da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), adquirindo conhecimento técnico necessário para comandar o próprio negócio. A qualificação profissional permitiu que a artista compreendesse desde o manejo das videiras até os processos de vinificação. Essa base teórica sustenta as decisões práticas tomadas na vinícola. 

Two Wolves: o significado por trás do nome 

O nome escolhido para a vinícola surgiu de uma história tradicional que a cantora conheceu como uma lenda cherokee. O conto fala sobre dois lobos que representam forças opostas presentes em cada pessoa. Um lobo simboliza sentimentos negativos, enquanto o outro está ligado à generosidade e à compaixão. A narrativa traz uma reflexão sobre equilíbrio entre essas forças. Essa busca por equilíbrio também orienta a identidade da vinícola. A marca valoriza a relação entre a produção agrícola e o respeito à natureza, priorizando práticas que preservam o ecossistema local. 

Certificação orgânica e práticas de preservação ambiental 

As áreas de cultivo abrigam variedades de uvas que incluem Sauvignon Blanc, Cabernet Sauvignon, Syrah, Cabernet Franc, Petit Verdot, Graciano, Grenache e Vermentino. A propriedade conta com certificação orgânica e emprega métodos agrícolas focados na preservação da biodiversidade. Segundo a enóloga Alison Thomson, parceira profissional de Pink na vinícola, as técnicas adotadas envolvem o plantio de culturas de cobertura para atrair insetos benéficos. O projeto também inclui o cultivo de flora nativa e o reposicionamento de caixas para abrigo de pássaros azuis e corujas. Essas intervenções visam manter o equilíbrio do ecossistema e proteger as espécies da fauna regional. A conservação do solo é outro pilar fundamental do manejo adotado no local. 

Produção artesanal em pequena escala 

O projeto começou de forma artesanal em uma garagem refrigerada. A motivação inicial era a curiosidade e o interesse pessoal da cantora em aprender sobre a elaboração de vinhos. Com a evolução da estrutura para o nível profissional, a vinícola passou a oferecer rótulos de produção limitada. A prioridade é a qualidade e as especificidades de cada uva, em vez de volume comercial. Atualmente, os vinhos são comercializados exclusivamente pelo site oficial da marca. As vendas são sazonais e direcionadas aos membros do clube de clientes, denominado Tribe. 

Equipe feminina e liderança compartilhada 

A estrutura da Two Wolves Wine destaca a presença de mulheres em posições de liderança e nas atividades técnicas da produção. A cantora montou uma equipe formada por cinco mulheres, incluindo a enóloga Alison Thomson, responsável pela elaboração dos vinhos. Em entrevista, Pink explicou que a experiência de trabalhar com mulheres em posições de comando foi uma novidade em sua trajetória profissional. A artista destacou a importância de construir um ambiente em que as integrantes possam conciliar as responsabilidades familiares com o trabalho na indústria vinícola. Thomson, que estudou ecologia restaurativa antes de ingressar no setor, comentou sobre a oportunidade de desenvolver um projeto que respeita a presença de mães na equipe. Segundo ela, a parceria com a cantora mostrou que é possível conciliar a maternidade com os períodos intensos de trabalho durante a colheita. 

A fazenda como refúgio familiar 

A propriedade californiana também serve como residência para a musicista e seus filhos. Seu marido, o ex-atleta de motocross Carey Hart, compartilha a ligação com a região. O casal já costumava visitar o Vale de Santa Ynez de motocicleta antes de adquirir a propriedade. A vivência no vinhedo oferece à artista um contraponto ao ritmo acelerado das turnês mundiais. Entre os cuidados com as videiras, o desenvolvimento de novos rótulos e a administração da vinícola, Pink mantém uma atividade empresarial ligada à terra e à sustentabilidade ambiental. A fazenda representa um espaço de integração entre trabalho, família e conexão com a natureza. 

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