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Aos 108 anos, ex-professora dirige sozinha e renova carteira até os 115 nos EUA

Conheça Susan Young Browne, que dirige há mais de 80 anos

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Susan Young Browne tem 108 e dirige há 8 décadas • Internet/Reprodução

A porta se abre, Susan Young Browne entra em seu Subaru azul e assume o volante. A cena poderia passar despercebida pelas ruas de Dover, em Delaware, nos Estados Unidos, não fosse um detalhe: Susan tem 108 anos.

Mais impressionante ainda é que ela não pretende abandonar o banco do motorista. Depois de mais de oito décadas dirigindo, renovou recentemente sua carteira de motorista com validade até 2033. Se continuar ao volante até lá, terá 115 anos. Mas talvez o segredo para entender como chegou até aqui não esteja dentro do carro, e sim no que acontece antes de sair de casa.

A rotina de exercícios que começou há duas décadas

Todas as manhãs, Susan se exercita. A rotina não surgiu depois que passou dos 100 anos — são movimentos que repete há aproximadamente vinte anos.

Ela chega a se exercitar no chão de casa, dando atenção especial às pernas. Depois, três vezes por semana, segue para o Modern Maturity Center, centro comunitário para idosos que frequenta há décadas.

No local, participa de atividades físicas coletivas e exercícios como dança na cadeira. Quando entra na sala, quase sempre é a pessoa mais velha do grupo. Em uma das aulas acompanhadas pela imprensa, os colegas começaram a aplaudi-la assim que chegou.

Susan, porém, parece encarar tudo com naturalidade. Aos 108 anos, ainda caminha sem precisar de bengala ou andador. Mora sozinha, lê, faz jogos de palavras, encontra amigos e cuida da própria rotina.

Para ela, permanecer em movimento não é uma novidade trazida pela longevidade. É um hábito construído durante décadas.

Mais de 80 anos ao volante e uma carteira válida até 2033

Dirigir ocupa uma posição especial nessa independência. Susan vive sozinha em uma casa em Dover e não quer depender de outras pessoas sempre que precisa sair.

Por isso, entra no Subaru azul e vai. Mercado, compromissos e atividades fazem parte dos trajetos que ainda percorre por conta própria.

São mais de 80 anos de experiência atrás do volante. Quando chegou a hora de renovar a carteira de motorista, a idade não colocou um ponto final nessa história.

O documento ganhou validade até 2033. Susan terá 115 anos quando a habilitação vencer. Ela diz que procura dirigir com cuidado e sabe exatamente o que o carro representa em sua rotina: liberdade para decidir quando e para onde quer ir.

A independência que hoje permite atravessar Dover ao volante começou a ser construída em uma realidade completamente diferente.

Infância em uma fazenda sem eletricidade ou água encanada

Susan nasceu em 24 de abril de 1918, em Lincoln, Delaware. Era a décima de 12 filhos de George e Susie Brown.

Quando chegou à idade escolar, a família vivia em uma fazenda de aproximadamente 40 acres, cerca de 16 hectares, entre Houston e Milford. Não havia eletricidade. Também não havia água encanada.

Para estudar, Susan frequentava uma pequena escola destinada a alunos negros durante o período de segregação racial nos Estados Unidos. Era uma escola de uma única sala, localizada a cerca de oito quilômetros da propriedade onde morava.

Ainda menina, ela decidiu o que queria fazer da vida: queria estudar e queria ser professora.

Sete anos até conquistar o diploma em Educação

Transformar aquele desejo em realidade não seria simples. Susan estudou na instituição então chamada State College for Colored Students, atual Delaware State University.

No caminho, casou-se com James Young e começou a formar uma família. Conciliar responsabilidades pessoais, trabalho e estudos tornou o percurso mais longo. Foram sete anos até a graduação.

Em 1945, finalmente recebeu o diploma em Educação Primária. Naquele mesmo ano, começou a ensinar.

Susan passou pelas escolas Ellendale Elementary e John Wesley Elementary, em Milford, e depois pela Lockwood Elementary School, em Hartly. Mais tarde, trabalhou na Booker T. Washington Elementary School, em Dover, enquanto também ajudava a administrar o serviço de ônibus escolares do marido.

A menina que havia caminhado quilômetros para frequentar uma escola segregada agora estava do outro lado da sala de aula. E permaneceria ali por décadas.

Da segregação à integração das escolas americanas

A própria carreira de Susan acompanhou uma transformação histórica nos Estados Unidos. Ela cresceu sob a segregação racial, estudou em instituições destinadas à população negra e começou a trabalhar dentro desse mesmo sistema.

Em 1965, isso mudou. Com o fim da segregação no distrito escolar em que trabalhava, Susan foi transferida para a Fairview Elementary School.

Professora e alunos precisaram se adaptar a uma realidade diferente dentro da sala de aula. Susan continuou ensinando.

Permaneceu na Fairview até 1977, quando finalmente se aposentou após aproximadamente 30 anos de carreira. Mas havia algo que ela não pretendia fazer depois de deixar a escola: ficar parada.

Viagens pelo mundo após a aposentadoria

Depois de passar três décadas andando entre carteiras e alunos, Susan decidiu aproveitar o tempo de outra maneira. Começou a viajar.

Conheceu Califórnia, Havaí e Alasca e atravessou o Atlântico para visitar países como Holanda, Espanha e Portugal. Muitas das viagens foram feitas com Clifton Browne, professor de Serviço Social da Delaware State University, com quem se casou em 1993.

Susan ficou viúva duas vezes. James Young morreu em 1988. Clifton Browne, em 2001.

Os anos continuaram passando. Vieram filhos, netos e bisnetos. Os 80 anos chegaram. Depois, os 90. Então vieram os 100.

Susan continuou em movimento.

Celebração com mais de 130 pessoas aos 108 anos

Em 24 de abril de 2026, Susan completou 108 anos. Dias depois, em 2 de maio, mais de 130 pessoas se reuniram no Harvest House, salão da Whatcoat United Methodist Church, em Dover, para celebrar sua trajetória.

Familiares, amigos e autoridades participaram da festa. Entre eles estava o governador de Delaware, Matt Meyer.

O prefeito de Dover, Robin R. Christiansen, apontou Susan como a moradora mais velha da cidade. Durante a homenagem, representantes locais destacaram que sua história funciona como uma ponte entre diferentes gerações.

Não é difícil entender a comparação. Susan nasceu em uma casa sem eletricidade e água encanada. Frequentou uma escola segregada. Tornou-se professora.

Presenciou a integração racial das escolas. Viajou pelo mundo. Viu o século 20 terminar e o século 21 avançar. E, aos 108 anos, ainda tem lugares para ir.

Por que continuar em movimento faz diferença na longevidade

Terminada a aula no Modern Maturity Center, Susan se despede. Do lado de fora, uma vaga de estacionamento reservada para motoristas centenários ajuda a tornar a cena ainda mais incomum.

Ela caminha até o Subaru. Entra. Fecha a porta. E assume novamente o volante.

A carteira de motorista diz que Susan Young Browne poderá continuar fazendo isso até 2033, quando terá 115 anos. Mas sua história talvez seja melhor resumida por outra contagem.

Há cerca de 20 anos, ela acorda e repete seus exercícios. Há mais de 80, dirige. Durante 30, ensinou crianças.

E, depois de 108 anos de vida, ainda parece seguir a mesma regra que adotou muito antes de se tornar centenária: continuar em movimento.

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