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30-30-30: o alerta que todo bombeiro florestal teme ao combater incêndios

Entenda a combinação de temperatura, umidade e vento que transforma qualquer fogo em cenário de difícil controle e por que essa regra se tornou mais frequente

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30-30-30: o alerta que todo bombeiro florestal teme ao combater incêndios
Canva/ Reprodução

Quando o termômetro ultrapassa 30 graus, a umidade relativa do ar despenca para menos de 30% e o vento começa a soprar acima de 30 km/h, os bombeiros florestais sabem que enfrentarão um dos cenários mais perigosos possíveis. Essa coincidência tripla, conhecida como regra 30-30-30, cria condições ideais para que qualquer incêndio se propague rapidamente e escape do controle.

Essa combinação esteve presente em vários dos grandes incêndios registados no verão de 2025 em Espanha, incluindo os que afetaram Ávila, Madrid, Toledo e Almería. Mas a regra não é uma sentença definitiva de catástrofe — trata-se de um indicador técnico que alerta equipas de combate sobre um risco muito elevado de propagação, especialmente quando se combina com vegetação seca, grande quantidade de combustível florestal e condições favoráveis do terreno.

O que significa a regra 30-30-30 para o combate a incêndios

A expressão 30-30-30 tornou-se uma referência operacional entre bombeiros florestais, embora sua origem científica não esteja formalmente estabelecida. Segundo Miguel Castillo, investigador da Faculdade de Ciências Florestais e Conservação da Natureza da Universidade do Chile, a regra ajuda os responsáveis a avaliar rapidamente o perigo e decidir estratégias de combate.

Apesar de ser descrita como o "número da besta dos incêndios florestais", essa combinação não significa automaticamente que um fogo se tornará incontrolável. Trata-se antes de um sinal de alerta máximo que exige mobilização imediata e táticas preventivas rigorosas.

A regra funciona como um termómetro de risco: quando os três fatores coincidem, as chamas encontram ambiente perfeito para avançar com velocidade e intensidade extremas.

Por que essa combinação é tão perigosa

A temperatura acima de 30 graus seca a vegetação e aumenta a inflamabilidade de qualquer material combustível. A umidade relativa abaixo de 30% retira a água presente nas plantas, folhas e galhos, transformando-os em combustível quase instantâneo.

Quando o vento sopra acima de 30 km/h, ele fornece oxigénio constante às chamas e carrega brasas e fagulhas para longe, criando novos focos de incêndio a distâncias consideráveis. Essa combinação cria um efeito multiplicador que desafia qualquer estratégia de contenção.

Os especialistas consideram esse cenário um dos mais perigosos possíveis para quem combate as chamas, exigindo mobilização máxima de recursos e evacuação preventiva de populações em risco.

Nem todos os grandes incêndios seguem a regra

Dados analisados pela organização Civio mostram que, entre 2007 e 2016, apenas 36,7% dos grandes incêndios florestais em Espanha ocorreram em condições de 30-30-30. Isso demonstra que muitos outros fatores determinam a severidade de um incêndio.

O Greenpeace alerta que os incêndios resultam sempre de uma combinação de múltiplos fatores. Topografia, tipo de vegetação, acumulação de biomassa e gestão florestal têm papel crucial no comportamento do fogo.

Ainda assim, quando os três "30" coincidem, o risco aumenta exponencialmente e as equipas enfrentam condições operacionais extremamente adversas.

Incêndios de sexta geração: quando o fogo cria o próprio clima

Uma preocupação crescente entre especialistas são os chamados incêndios de sexta geração. Esses fogos libertam tanta energia que conseguem alterar as próprias condições atmosféricas.

Formam-se nuvens pirocumulonimbus que podem dar origem a tempestades de fogo, tornando o comportamento das chamas altamente imprevisível e extremamente difícil de controlar. Esses eventos representam um novo patamar de perigo no combate a incêndios florestais.

Quando essas tempestades se formam, os bombeiros perdem praticamente toda a capacidade de prever ou influenciar o avanço das chamas.

O papel do abandono rural na intensidade dos incêndios

Segundo o WWF, o abandono de atividades agrícolas e da pastorícia contribuiu para agravar o problema dos incêndios florestais. A acumulação de vegetação e biomassa nas florestas aumenta drasticamente a quantidade de combustível disponível.

Esse fenómeno favorece incêndios de maior intensidade, com chamas mais altas e propagação mais rápida. Florestas que antes eram manejadas por comunidades rurais agora acumulam material seco sem controlo.

A gestão adequada das florestas, com redução da carga de combustível vegetal, torna-se cada vez mais decisiva para prevenir catástrofes.

Alterações climáticas tornam a regra mais frequente

O fator que mais preocupa especialistas atualmente são as alterações climáticas. O aumento da duração das ondas de calor, a redução da humidade dos solos e os períodos de seca prolongada estão a tornar as condições da regra 30-30-30 muito mais frequentes.

O WWF alerta que este fenómeno está a criar florestas mais secas e vulneráveis, aumentando significativamente a probabilidade de incêndios extremos. As janelas temporais de risco máximo estão a expandir-se.

Um estudo do grupo científico World Weather Attribution (WWA) concluiu que as alterações climáticas tornaram os grandes incêndios registados em Espanha e Portugal durante o verão de 2025 40 vezes mais prováveis. Esse dado revela a dimensão do desafio que se aproxima.

Estratégias de prevenção que fazem a diferença

Para os especialistas, a prevenção continua a ser decisiva no combate aos incêndios florestais. Embora ninguém consiga controlar o calor extremo, o vento ou a humidade, outros fatores estão ao alcance da intervenção humana.

A gestão adequada das florestas reduz a carga de combustível vegetal disponível. A preparação das populações, com planos de evacuação e educação sobre riscos, pode fazer a diferença entre um incêndio controlável e uma catástrofe.

Essas medidas estruturais transformam-se em linhas de defesa quando as condições meteorológicas atingem o perigoso patamar da regra 30-30-30.

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