Vacina contra covid da UFMG avança para fase 3
Testes finais começam em 2026 e podem levar à liberação em 2028

Falta apenas a terceira fase de testes da vacina contra covid-19 desenvolvida 100% no Brasil por pesquisadores da UFMG. Essa etapa deve contar com cerca de 5,3 mil voluntários em todo o país e, por ser mais complexa, a previsão é que comece em 2026.
Em cada fase, os voluntários são acompanhados por um ano. Depois disso, com uma nova aprovação da Anvisa, a vacina pode ser liberada — restando apenas trâmites burocráticos. Se tudo correr bem, a expectativa é que a população brasileira possa se vacinar a partir de 2028.
A vacina se chama SpiN-TEC e foi criada no CTVacinas da UFMG. Ela tem vantagens importantes: protege contra mais variantes da covid-19 e tem custo mais baixo para o sistema público. Na última quinta-feira passada (8), foi concluída a segunda fase de testes em humanos.
Nessa etapa, metade dos voluntários recebeu a SpiN-TEC e a outra metade tomou a vacina bivalente da Pfizer — sem saber qual tinham recebido até o fim do acompanhamento. Os resultados indicam que a vacina brasileira tem melhor desempenho contra variantes, o que a torna uma boa opção como dose de reforço e mais adequada à realidade do país.
Segundo os pesquisadores da UFMG, a produção também tende a ser mais barata, já que o Brasil tem tecnologia e estrutura para fabricar esse tipo de vacina, tanto em empresas públicas quanto privadas.
Outro ponto positivo é a conservação: enquanto outras vacinas precisam de temperaturas muito baixas, a SpiN-TEC pode ser armazenada em condições mais simples e mantém suas propriedades por até 10 a 15 dias em temperatura ambiente.
Os cientistas também destacam que a vacina traz uma mudança importante na forma de proteção. Diferente das vacinas já usadas no Brasil, que atuam principalmente por anticorpos, a SpiN-TEC estimula a chamada imunidade celular, que também ajuda o corpo a combater o vírus.
No mundo, apenas uma vacina segue esse mesmo modelo, já aprovada na Rússia. Como o país não faz parte de alguns dos principais órgãos internacionais de regulação, como FDA e EMA, a Anvisa tem feito análises rigorosas antes de autorizar o início da fase 3, a última etapa de testes em humanos.


