Tabagismo está associado a 63 mil mortes por câncer no Brasil, aponta estudo
Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica aproveita o Dia Mundial sem Tabaco para alertar sobre riscos do cigarro

Em celebração ao Dia Mundial sem Tabaco, que acontece neste domingo (31), a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) revelou que cerca de 63.268 mortes por câncer registradas no país podem estar associadas ao tabagismo, o equivalente a quase uma em cada quatro mortes pela doença.
O levantamento foi feito com base nos registros de mortalidade da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, nas projeções do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para 2026 e em estudos epidemiológicos que medem a parcela de casos atribuíveis ao consumo de tabaco.
Ao todo, foram avaliados 12 tipos de câncer fortemente associados ao tabagismo, incluindo tumores de pulmão, cavidade oral, laringe, esôfago, bexiga, pâncreas, fígado, colo do útero, rim, estômago e intestino.
Câncer de pulmão tem o maior impacto
De acordo com o levantamento, os 12 tipos de câncer analisados somaram 132.802 mortes em 2025 no Brasil. A partir dos percentuais de associação com o tabaco, a SBCO estimou que 63.268 desses óbitos tenham relação direta com o consumo de cigarros e outros derivados.
O maior impacto foi observado no câncer de pulmão. Dos 31.637 óbitos registrados pela doença, cerca de 28.473 podem estar associados ao tabagismo, já que aproximadamente 90% dos casos têm relação com o consumo de cigarro.
Os cânceres de laringe e esôfago também apresentaram índices elevados de associação, com percentuais de 96% e 90%, respectivamente. Mesmo em tumores com menor proporção atribuída ao tabaco, como os de estômago, fígado, pâncreas, colo do útero e colorretal, o impacto continua relevante devido ao grande número de casos registrados anualmente.
Tabagismo continua sendo um fator de risco evitável.
Para o presidente da SBCO, o cirurgião oncológico Paulo Henrique de Sousa Fernandes, o cigarro permanece como uma das principais causas evitáveis de câncer.
"Mesmo quando não é a causa principal, o cigarro contribui de forma significativa para o desenvolvimento e agravamento da doença, especialmente quando associado ao consumo de álcool, sedentarismo e alimentação inadequada", afirma.
Segundo o especialista, embora o Brasil tenha reduzido significativamente o número de fumantes nas últimas décadas, os efeitos do tabaco continuam a ser observados por muitos anos. Isso porque diversos tipos de câncer podem levar décadas para se desenvolver após a exposição aos componentes tóxicos presentes nos derivados do tabaco.
Um estudo publicado em 2025 na Revista Brasileira de Cancerologia mostrou que a prevalência de fumantes no Brasil caiu de 34,8% em 1989 para cerca de 9,3% em 2023. Apesar da redução, Fernandes alerta que novos produtos vêm sendo apresentados como alternativas supostamente menos nocivas, especialmente entre os mais jovens.
"O avanço é importante, mas vemos uma movimentação intensa da indústria do tabaco na tentativa de apresentar novos produtos como alternativas supostamente menos nocivas, especialmente os cigarros eletrônicos e dispositivos saborizados. Isso não é verdade. É fundamental reforçar, sobretudo entre os jovens, que nenhuma dessas opções é isenta de riscos. Além disso, as evidências apontam, conforme destaca a OMS, que não há consumo seguro de cigarro e de nenhum de seus derivados", alerta.
Cigarros eletrônicos também preocupam
Os cigarros eletrônicos surgiram como alternativa ao cigarro convencional, mas especialistas alertam que esses dispositivos também oferecem riscos à saúde. Segundo a SBCO, alguns modelos podem conter concentrações de nicotina superiores às dos cigarros tradicionais, favorecendo o desenvolvimento da dependência química.
Em abril de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu manter a proibição da comercialização dos dispositivos eletrônicos para fumar no Brasil.
Para Paulo Henrique de Sousa Fernandes, além dos danos diretos à saúde, esses produtos podem estimular a iniciação do tabagismo entre adolescentes e jovens adultos.
"Esses dispositivos liberam substâncias tóxicas que podem causar danos ao sistema respiratório e cardiovascular. Há uma falsa percepção de segurança em relação aos cigarros eletrônicos. Eles não são inofensivos e podem expor o usuário a níveis elevados de nicotina. A única forma de reduzir de fato os riscos é não consumir nenhum produto derivado do tabaco", afirma.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



