Saiba por que o frio intenso eleva risco de infarto e AVC
Queda das temperaturas provoca alterações no organismo que aumentam a pressão arterial e sobrecarregam o sistema cardiovascular, especialmente entre idosos e pessoas com doenças crônicas

Com a chegada do inverno e a queda das temperaturas em diversas regiões do Brasil, médicos reforçam um alerta importante: o frio não afeta apenas as doenças respiratórias. O período também está associado ao aumento dos casos de infarto e acidente vascular cerebral (AVC), exigindo atenção redobrada com a saúde do coração.
Em entrevista ao G1, o cardiologista Roberto Kalil, presidente do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, explica que o organismo reage naturalmente às baixas temperaturas para preservar o calor corporal. Nesse processo, ocorre a contração dos vasos sanguíneos, fenômeno conhecido como vasoconstrição. Como consequência, a pressão arterial tende a subir e o coração passa a trabalhar mais para manter a circulação adequada do sangue.
Esse esforço extra pode representar um risco maior para pessoas que já possuem problemas cardiovasculares, hipertensão, diabetes ou outros fatores de risco. Idosos também fazem parte do grupo mais vulnerável durante os meses mais frios do ano.
Dados do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), destacados pelo G1, apontam que os casos de infarto podem aumentar em até 30% durante o inverno. Já os episódios de AVC apresentam crescimento de até 20%, principalmente em períodos em que as temperaturas ficam abaixo dos 14°C.
Além da reação natural do corpo ao frio, outros hábitos comuns nesta época contribuem para elevar os riscos. Muitas pessoas reduzem a prática de atividades físicas, passam mais tempo em ambientes fechados e tendem a adotar uma alimentação mais calórica, fatores que podem impactar negativamente a saúde cardiovascular.
Para diminuir os riscos, a recomendação é manter o tratamento médico em dia, não interromper o uso de medicamentos prescritos, praticar exercícios físicos regularmente, adotar uma alimentação equilibrada e proteger o corpo das baixas temperaturas. Evitar mudanças bruscas de temperatura também é uma medida importante para quem possui doenças cardíacas ou pressão alta.
O médico ressalta, ainda, que sintomas como dor ou pressão no peito, falta de ar, tontura, fraqueza repentina em um dos lados do corpo e dificuldade para falar devem ser tratados como sinais de alerta. Nesses casos, a orientação é procurar atendimento imediatamente, já que a rapidez no diagnóstico pode ser decisiva para reduzir complicações e salvar vidas.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



