Psiquiatra aponta riscos do autodiagnóstico no tratamento da depressão
Médica explica quais são os sintomas e quando procurar ajuda profissional

A depressão é uma doença mental crônica, associada ao suicídio. Os pacientes com o quadro apresentam sintomas como humor depressivo, retardo motor, insônia ou sonolência, mudanças no apetite, redução do interesse sexual e dores e sintomas físicos difusos.
Com o grande fluxo de informações nas redes sociais, alguns pacientes se autodiagnosticam com depressão, baseando-se em informações superficiais encontradas na internet. A médica psiquiatra Cíntia Braga aponta os riscos dessa prática e explica como é feito o diagnóstico.
“É um meio fácil de adquirir informações que estão ali, à mão, dentro do bolso. Tem muito conteúdo a respeito disso nas redes, então a pessoa cria uma identificação. Às vezes o que está acontecendo com ela, ou com um familiar ou amigo, é algo parecido, e ela assume que é aquilo e segue a vida", afirma a médica em participação no programa Acir Antão desta segunda-feira (23).
Muitas das vezes, o autodiagnóstico é acompanhado da automedicação, prática extremamente perigosa. Além disso, alguns pacientes deixam de buscar ajuda de um profissional por assumirem que têm determinada doença.
“Às vezes a pessoa se reduz a um diagnóstico e não entende que aquilo pode ser parte da personalidade dela, e não um transtorno. Está tudo bem termos nossas individualidades. Às vezes a pessoa deixa de procurar ajuda especializada porque assume que ‘é isso aqui e pronto, vou ser assim para sempre’, o que retarda muito a busca por ajuda”, explica a psiquiatra.
Para distinguir uma característica da personalidade ou um sentimento de transtorno mental, a médica destaca que o tempo é um fator crucial. “O transtorno mental tem uma característica de tempo; ele não começa e termina hoje. Às vezes perdemos o emprego ou terminamos um relacionamento e ficamos tristes, ou ficamos ansiosos antes de viajar de avião; isso não é necessariamente um transtorno. O critério temporal é importante: tem que durar um tempo e trazer um transtorno significativo. Isso não significa que um sofrimento não mereça ser trabalhado em terapia, mesmo que não exija medicação”.
No caso da depressão, é necessário ficar atento aos sinais, que nem sempre são claros. “Pensamos em depressão como alguém triste e chorando na cama, mas às vezes ela se manifesta como perda de interesse. A pessoa não vê mais graça nas coisas que fazia. Isso é um sinal de alerta. Também pode se manifestar como irritação. Não acontece do dia para a noite; é um processo de adoecimento gradual. É importante estar atento aos sinais próprios e das pessoas ao redor”, diz a médica.
Para aqueles que já estão em tratamento contra depressão, mas não sentem melhora, a psiquiatra afirma que é preciso ter paciência. “É preciso insistir na terapia; não é um processo instantâneo como tomar um antitérmico para febre. É importante manter hábitos saudáveis e, se a medicação não está ajudando, sempre é possível trocá-la.”
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Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



