Problemas de visão podem ser confundidos com TDAH e atrasar alfabetização
Neuro-optometrista e especialista em terapia visual explica quais são os sinais de problemas de visão em crianças

No ambiente escolar, problemas de visão podem ser frequentemente confundidos com transtornos de aprendizagem ou transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH). Foco, coordenação ocular e percepção de profundidade, por exemplo, podem prejudicar o desempenho das crianças na escola.
Karine Rocha, neuro-optometrista e especialista em terapia visual, afirma que “nossa sociedade tem uma cultura de que, se a criança enxerga bem (tem nitidez), o sistema visual está funcionando adequadamente. Porém, a visão vai muito além da nitidez. Temos mais de 17 habilidades da visão, que envolvem foco, coordenação dos olhos, visão em profundidade, localização do espaço, além de como a criança processa, interpreta e dá significado ao que vê. Os exames de vista tradicionais hoje não fazem essa análise completa”.
O diagnóstico é ainda mais complicado porque, muitas vezes, a criança não sabe explicar as dificuldades que tem. Porém, é preciso que a família e os profissionais da educação se atentem aos sinais: “trocar letras, confundir números, engolir palavras ao ler ou usar o dedo como referência”, lista a neuro-optometrista.
Essas crianças apresentam também “desinteresse pelo aprendizado e aversão ao ‘para casa’, falta de concentração e atenção. Fisicamente, o olho coça, arde, ou ela faz caretas franzindo a testa para tentar enxergar. A leitura é mais lenta e pausada”, diz a profissional.
A especialista aponta a frequência com que a criança deve passar por avaliação visual. “A visão deveria ser cuidada desde o nascimento com acompanhamentos semestrais, mas, na alfabetização, por volta dos 5 anos e 6 meses, esse acompanhamento deve ser mais de perto”.
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Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



