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Pesquisadoras alertam para erros em diagnósticos de TDAH em crianças

Um dos principais desafios é diferenciar os sintomas do transtorno de características que são comuns na infância

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Novo Plano Nacional de Educação deve começar a ser discutido no Senado • Reprodução / Freepik

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) tem se tornado cada vez mais popular e discutido no Brasil. De acordo com a Associação Brasileira de Déficit de Atenção (ABDA), cerca de 2 milhões de pessoas sofrem com o transtorno no país. Porém, pesquisadoras da Universidade de São Paulo (USP) alertam para a banalização da condição e falsos diagnósticos positivos para TDAH.

A neurologista Alicia Coraspe, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HC-FMRP) da USP, detalha algumas das explicações que podem justificar o número elevado de diagnósticos errados. Para ela, é preciso saber diferenciar comportamentos que são normais na infância de comportamentos característicos do transtorno. “Compreender os sintomas do TDAH e suas variações ao longo das diferentes faixas etárias é fundamental para um diagnóstico preciso e menos estigmatizado”, enfatiza.

O estilo de vida corrido dos adultos e a exposição excessiva às telas também podem contribuir para o problema. "As mudanças no estilo de vida, como o aumento do uso de telas e conteúdos digitais mais curtos, juntamente com a rotina agitada dos pais, que têm menos tempo para os filhos, têm levado mais famílias a consultórios médicos questionando a possibilidade desse diagnóstico”, avalia.

Já na fase adulta, o desafio é diferenciar os sintomas de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade dos sintomas de outras doenças características nessa faixa etária. "Já a dificuldade do diagnóstico na fase adulta está em obter relatos do comportamento do paciente na infância e na necessidade de distinguir o TDAH de outros transtornos como ansiedade, depressão, bipolaridade, disfunções da tireoide e deficiências de vitaminas, que são mais prevalentes nessa faixa etária”, comenta.

Explicando o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade

A pesquisadora Anaísa explica que o TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento, caracterizado por níveis prejudiciais de desatenção, desorganização, hiperatividade e impulsividade. Geralmente, os sintomas aparecem na infância e podem persistir até a fase adulta. Ainda não existe um consenso definitivo para a origem do transtorno: "Alguns estudos sugerem que fatores tanto ambientais quanto genéticos podem contribuir para o desenvolvimento do transtorno”, diz.

Fatores ambientais podem influenciar no desenvolvimento da disfunção, como prematuridade, exposição intrauterina a substâncias como tabaco, álcool e drogas, baixo peso ao nascer, problemas psicológicos maternos durante a gestação, complicações perinatais e lesões cerebrais.

Tipos de TDAH

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade pode ser dividido em três tipos: hiperativo/impulsivo, desatento e misto/combinado. As pessoas que possuem o primeiro tipo costumam ser inquietas, além de falar muito e interromperem a fala de outras pessoas constantemente.

Já os pacientes com TDAH do tipo desatento, costumam cometer erros por falta de atenção e apresentam dificuldades para organizar atividades e tarefas do dia a dia. O tipo misto ou combinado, como o nome sugere, é uma mistura das outras duas modalidades, combinando a dificuldade de concentração com a inquietude.

Na infância, geralmente, os sintomas aparecem de forma combinada, enquanto na fase adulta o tipo predominante é o TDAH desatento.

*Sob supervisão de Rômulo Ávila

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Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.