Nobel de Medicina: entenda técnica que usa luz para ‘ligar’ neurônios
Pesquisadores explicam como funciona a optogenética, técnica que estuda a resposta de células nervosas à luz que foi reconhecida pelo Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina nessa segunda-feira (5)

Os pesquisadores Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel receberam o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina nessa segunda-feira (5). Os três foram premiados por descobertas sobre optogenética, técnica que estuda a resposta de células nervosas à luz.
"É uma tecnologia que permite, com o uso de luz, ativar neurônios específicos. Isso trouxe uma revolução sem perspectivas em termos de entender o papel dos neurônios e circuitos neurais do cérebro”, avalia Eduardo Zimmer , neurocientista, professor da UFRGS e pesquisador apoiado pelo Instituto Serrapilheira e IDOR Ciência Pioneira.
Na prática, a técnica permite acionar neurônios específicos e acompanhar o que ocorre no cérebro depois de sua ativação. “Se eu consigo ativar um neurônio que sempre foi associado à fome, e um animal de pesquisa começa a comer imediatamente, eu consigo fazer a inferência causal de que aquele neurônio, quando ativado, induz o animal a se alimentar. Essa é a resolução que trouxe essa tecnologia”, esclarece Zimmer.
Peter Hegemann e Georg Nagel identificaram em algas uma proteína chamada canalrodopsina, capaz de responder à luz. A partir disso, Karl Deisseroth utilizou a proteína como uma espécie de interruptor acionado pela luz em células nervosas.
“A partir daí, toda vez que se liga a luz, o canal é ativado e se ativa esse neurônio de interesse. "Quando descubro que um neurônio está associado a um comportamento específico, começo a pensar naquele neurônio como um alvo para tratar alguma patologia”, explica o pesquisador.
A técnica é estudada para aplicação em casos clínicos. Um dos usos mencionados visa aplicar a optogenética na tentativa de restaurar a visão de pessoas com deficiência visual.
"Os ganhadores do prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia deste ano descreveram uma forma de estimular com luz apenas um neurônio ou apenas um canal iônico. “Um feito notável que nos permite entender melhor praticamente todas as doenças do sistema nervoso, como esquizofrenia e Alzheimer. Essa conquista traz implicações até mesmo para a computação e inteligência artificial”, destaca Luiz Eugênio Mello, membro titular da ABC e Diretor de Pesquisa e Inovação do IDOR.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



