Médica explica impactos da queda da patente do Ozempic
Especialista detalha expectativas de preço e diferenças entre medicamento genérico e o original

A patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic e Wegovy, cairá nesta sexta-feira (20). Com isso, a Novo Nordisk, farmacêutica responsável pelos medicamentos, perde o prazo de exclusividade da substância, abrindo espaço para a criação de remédios genéricos.
A médica Eliana Teixeira, pós-graduada em endocrinologia e nutrologia e especialista em emagrecimento, explica que, “com a queda da patente, abre-se espaço para a entrada de concorrentes no mercado, o que tende a aumentar a oferta e, consequentemente, pode levar à redução de preços”.
Ela destaca que a diminuição dos preços, no entanto, não é imediata nem garantida. “Depende de fatores como regulação, produção em larga escala, interesse da indústria e aprovação dos órgãos sanitários", afirma.
A especialista detalha qual a diferença entre o medicamento original e o genérico. “Na prática, o genérico deve ter o mesmo princípio ativo, na mesma dose e forma de administração, além de demonstrar bioequivalência, ou seja, ele se comporta no organismo da mesma forma que o medicamento de referência. Por isso, quando aprovado pelos órgãos regulatórios, o efeito clínico esperado é equivalente.”
Apesar disso, os medicamentos podem apresentar diferenças sutis, mas que não alteram o efeito do medicamento no corpo. “Podem existir diferenças em aspectos como componentes da fórmula que não são o princípio ativo, embalagem e apresentação, mas isso, em geral, não interfere no resultado do tratamento para a maioria das pessoas", afirma.
Com a chegada de genéricos, o tratamento não deve mudar, mas mais pacientes terão acesso ao medicamento. A médica reforça que é importante que o protocolo seja sempre acompanhado por um médico.
“A estratégia terapêutica continua sendo individualizada, levando em conta o perfil clínico, os objetivos do paciente e a resposta ao tratamento. Ou seja, a queda da patente não altera o fundamento do cuidado, ela amplia possibilidades, mas o sucesso do tratamento ainda depende de uma abordagem global, que inclui acompanhamento médico e mudanças no estilo de vida”, destaca.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



