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Mau cheiro na região íntima pode ser sinal de câncer? Médica responde

Sintomas de infecções sexualmente transmissíveis podem ser confundidos com câncer em estágio avançado

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Câncer de colo do útero é o mais comum entre os casos de câncer na região íntima • Freepik

O mau cheiro na região íntima pode indicar a presença de alguma doença ou infecção. Quando se trata do câncer, Laura Silva Costa, oncologista clínica do Grupo Orizonti e Instituto de Oncologia Ciências Médicas, explica que o odor associado a outros fatores pode indicar a presença da doença.

“Quando o odor vem acompanhado de outros sinais, como sangramento fora do período menstrual, feridas que não cicatrizam, secreção persistente ou dor, aí sim precisamos investigar melhor, porque alguns cânceres ginecológicos podem se manifestar dessa forma em fases mais avançadas”, diz a médica. O corrimento diferente do habitual, com cheiro forte e por um período maior de tempo, também é um sintoma.

Nas mulheres, a oncologista lista que existem os seguintes tipos de câncer que atingem a região íntima:

  • Câncer de colo do útero (o mais comum)
  • Câncer de vulva
  • Câncer de vagina
  • Câncer de endométrio (parte interna do útero)

Ela explica como diferenciar esses tipos da doença de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). “De forma geral, infecções sexualmente transmissíveis costumam ter início mais agudo, com sintomas como corrimento, dor, ardência e às vezes lesões, mas geralmente com evolução mais rápida e resposta ao tratamento. Já os cânceres costumam ter evolução mais lenta, com sintomas persistentes, que não melhoram com tratamentos comuns”.

A oncologista ressalta que é importante buscar um médico para chegar ao diagnóstico exato. “A orientação é clara: qualquer sintoma persistente na região íntima deve ser avaliado por um profissional de saúde. Diagnóstico precoce faz toda a diferença”, recomenda.

Como prevenir câncer na região íntima

Para prevenir doenças na região íntima, é importante se consultar com ginecologista pelo menos uma vez por ano e realizar os seguintes exames, segundo a médica:

  • Exame preventivo (Papanicolau): "deve ser feito regularmente por mulheres a partir dos 25 anos. É um exame simples, feito em consultório, sem necessidade de anestesia, feito por ginecologista ou enfermeiro especializado. Ele é importante para detectar alterações no colo uterino antes de virar câncer.
  • Teste de HPV: "uma forma de prevenção que chegou recentemente no SUS. Cada vez mais utilizado como complemento ou alternativa ao Papanicolau. Consegue determinar a presença no corpo da paciente dos subtipos de HPV, visto que alguns subtipos de alto risco estão relacionados a 99% dos câncer de colo uterino”

Vale lembrar que o vírus da HPV é o principal causador de câncer de colo do útero e existe vacina contra a doença pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Idealmente, deve ser tomada antes do início da vida sexual, no calendário vacinal nacional é administrado em meninas e meninos dos 9 as 14 anos, dose única. Em alguns casos especiais, pode ser aplicado em pacientes até os 45 anos, mostrando ainda benefícios”, reforça a médica.

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Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.