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Gravidez na adolescência: médica explica como prevenir e opções de métodos contraceptivos

Semana de Prevenção da Gravidez na Adolescência na América Latina é celebrada neste mês

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Mulher grávida deitada em uma cama em um quarto numa manhã ensolarada, o conceito de saúde e a expectativa de um filho, close-up da barriga.
Ginecologista explica como deve ser feita a escolha do método contraceptivo • Magnific

Em setembro, celebra-se a Semana de Prevenção da Gravidez na Adolescência na América Latina, campanha da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Neste ano, o tema é: "Apoiar as mães adolescentes para que prosperem: prevenir novas gestações não intencionais e construir futuros saudáveis".

"A gravidez na adolescência não deve ser tratada como uma falha individual nem como simples consequência de uma escolha. É uma questão de saúde pública e de direitos, atravessada pelo acesso à educação, à informação, aos serviços de saúde e aos métodos contraceptivos, além das desigualdades sociais, das relações familiares, das uniões precoces e da violência sexual”, destaca a ginecologista Gisele Maciel.

Segundo ela, falar sobre prevenção não é o bastante. É preciso explicar como fazer isso, quais os métodos disponíveis, como funcionam, seus benefícios e onde podem ser obtidos.

“A orientação precisa ser clara, responsável e adequada à idade. Falar sobre sexualidade e contracepção não estimula o início precoce da vida sexual. Ao contrário, a educação sexual de qualidade oferece instrumentos para decisões mais conscientes, ajuda a reconhecer situações de abuso e contribui para comportamentos mais seguros", afirma a médica.

Escolha do método contraceptivo

A ginecologista aponta que o método de prevenção deve ser individual, livre de coerção e feito com a participação da adolescente. A escolha deve considerar, além da idade, a saúde, as necessidades da paciente, suas preferências e a possibilidade de utilizar corretamente cada opção.

"Entre os métodos disponíveis estão os preservativos, os anticoncepcionais hormonais e os contraceptivos reversíveis de longa duração, como os dispositivos intrauterinos e o implante subdérmico. Esses últimos apresentam elevada eficácia e têm a vantagem de não depender da lembrança diária da usuária", lista a médica. Ela esclarece que os implantes subdérmicos podem ser utilizados por adolescentes, inclusive aquelas que nunca tiveram filhos.

A especialista lembra que, mesmo com o uso de métodos contraceptivos, a "camisinha" ainda é necessária. "O preservativo continua sendo fundamental porque também reduz o risco de infecções sexualmente transmissíveis. O ideal é incentivar a dupla proteção, associando o preservativo a outro método contraceptivo quando essa for a escolha da adolescente".

Além disso, os meninos também são responsáveis pela prevenção da gravidez indesejada. "Quando toda a responsabilidade é colocada sobre a adolescente, reforçamos uma desigualdade que não contribui para relações mais respeitosas e responsáveis. Educação sexual adequada inclui falar sobre consentimento, respeito aos limites, prevenção de infecções, contracepção e responsabilidade compartilhada".

Em caso de relação sexual desprotegida, existe a opção de usar a contracepção de emergência. O método mais comum é a pílula do dia seguinte. "Toda adolescente deve saber que ela existe, quando está indicada e onde pode ser obtida. Esse conhecimento é especialmente importante após uma relação sexual desprotegida, falha do método utilizado ou situação de violência sexual. A contracepção de emergência não é abortiva e não deve ser cercada por desinformação ou barreiras desnecessárias”, afirma Gisele Maciel.

No caso de uma gravidez indesejada, o aconselhamento contraceptivo deve continuar presente. "Não basta tentar evitar a primeira gravidez. É preciso garantir que as adolescentes que já são mães não sejam abandonadas ou privadas de suas perspectivas de futuro. A prevenção de uma nova gravidez não planejada faz parte de uma assistência obstétrica e ginecológica de qualidade. O aconselhamento contraceptivo deve começar ainda durante o pré-natal e continuar no pós-parto, com explicações sobre todos os métodos disponíveis e acesso ao método escolhido pela adolescente."

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Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.

 

 

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