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'Face taping': especialista faz alerta sobre técnica viral com fitas no rosto

Fitas serviriam para prevenir rugas e causar efeito 'lifting' no rosto

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A prática de “face taping” consiste em usar fitas adesivas para levantar a pele do rosto, além de prevenir ou suavizar rugas. A técnica fez sucesso nas redes sociais, associada ao efeito “lifting” sem necessidade de procedimentos estéticos.

"A proposta da técnica é imobilizar temporariamente determinados grupos musculares durante o sono, reduzindo a contração repetitiva e, teoricamente, prevenindo a formação de linhas de expressão", detalha Thiago Martins, biomédico e mestre em Medicina Estética.

Porém, ele explica que a técnica pode não ser eficiente. "A formação de rugas está diretamente relacionada a fatores estruturais da pele, como a perda progressiva de colágeno, elastina e ácido hialurônico, além da ação repetitiva da musculatura facial ao longo dos anos (as chamadas rugas dinâmicas). Também influenciam fatores externos, como exposição solar, poluição, tabagismo e estilo de vida", explica.

O "face taping" pode até trazer resultados num primeiro momento, mas o efeito é superficial e transitório. "As fitas não conseguem atingir camadas profundas da pele nem promover qualquer estímulo biológico relevante para a produção de colágeno. Além disso, não há evidências científicas robustas que comprovem benefícios duradouros dessa prática. Os efeitos observados, quando presentes, são temporários e decorrentes de uma leve compressão local ou edema passageiro, o que pode dar a impressão de pele mais lisa ao acordar. Esse resultado desaparece rapidamente ao longo do dia", diz o biomédico.

Além de não consertar o problema das rugas, a prática pode causar “irritação cutânea, dermatite de contato, obstrução dos poros e até agravamento de condições como acne e rosácea, especialmente em peles sensíveis”.

Se o paciente apresentar incômodo com rugas ou linhas de expressão, existem soluções mais eficientes. "Existem abordagens consolidadas e cientificamente comprovadas, como o uso diário de fotoproteção, ativos tópicos (como retinoides e antioxidantes) e procedimentos estéticos individualizados, incluindo tecnologias de bioestimulação de colágeno".

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Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.