Especialista faz alerta para 'misturinhas' para limpeza de casa
Misturas entre diferentes produtos de limpeza são comuns, mas perigosas

Uma mulher, identificada como Evelline Paula da Silva Lobo, de 39 anos, morreu após sofrer uma intoxicação por substâncias químicas ao lavar o banheiro da casa dela em Camaçari, na Bahia. O corpo dela foi encontrado dentro da residência, segundo a Polícia Civil do estado.
Um primo da vítima relatou que a mulher inalou os produtos químicos ao misturar uma grande quantidade de água sanitária com outros produtos de limpeza. Segundo o professor de biomedicina da Una, Samyr Machado Querobino, misturas como essa são comuns e muito perigosas.
As misturas mais comuns são: água sanitária e amônia, que libera cloramina, água sanitária com vinagre ou qualquer outro ácido, que libera o gás cloro, água sanitária com álcool, que pode formar compostos como clorofórmio, detergente e água sanitária, entre outros, segundo o especialista.
"Esses produtos, eles não devem ser misturados", afirmou.
A limpeza de banheiros está entre as tarefas domésticas que mais causam intoxicações, isso porque há a mistura de água sanitária com outros compostos, formando gases tóxicos.
"Esses gases são invisíveis, alguns deles não tem cheiro ou tem o cheiro que a gente já conhece, característico do produto de limpeza. Então, por isso, é muito comum o caso de intoxicação na limpeza de banheiro", explicou.
"Além disso, os banheiros, geralmente, eles não são tão bem ventilados. Eles têm uma janela muito pequenininha e, com isso, os gases se acumulam no ambiente, que é pequeno e fechado, e, com isso, é o maior causador de intoxicações", completou.
Segundo o biomédico, os sintomas mais comuns são:
- ardência nos olhos, nariz e garganta;
- tosse intensa com falta de ar;
- dor no peito;
- tontura;
- dor de cabeça;
- náusea.
Em casos mais graves, a pessoa pode ter confusão mental, desmaios, insuficiência respiratória e lesões respiratórias.
O mais indicado em caso de intoxicação, segundo Samyr, é interromper de forma imediata a exposição, ir para um local ventilado e, em caso de contato, lavar com água corrente. Em casos graves, é necessário procurar um médico.
"Procurar auxílio médico, hospitalar, é sempre indicado quando o paciente apresenta falta de ar, respiração difícil, tosse persistente ou sensação de aperto no peito, tontura intensa, desmaio, irritação ocular severa e aqueles sintomas que não melhoram rapidamente", afirmou.
"Em casos mais graves, a intoxicação pode evoluir muito rápido, exigindo suporte respiratório", concluiu.
Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.



