Itatiaia

Especialista alerta para risco do uso de analgésico para tratar dor emocional

Prática que viralizou nas redes sociais oferece vários riscos para a saúde mental e física

Imagem de analgésicos
Consumo contínuo de remédios pode reduzir o limiar da dor e criar um ciclo difícil de romper • Freepik

Nos últimos dias viralizou nas redes sociais publicações que relacionam o uso de analgésicos para tratamento de dores emocionais, como por exemplo, dor causada pelo fim de um relacionamento ou pelo luto. Mas, de acordo com Amanda Lima, psiquiatra ouvida pelo Itatiaia Saúde, tal prática oferece vários riscos para a saúde mental e física e, não tem fundamento porque o cérebro é capaz de diferenciar a dor física da emocional.

'A prática do consumo do analgésico oferece risco para a saúde. Quando falamos de analgésicos como dipirona, paracetamol, nimesulida, ibuprofeno, naproxeno, estamos falando de medicamentos que sobrecarregam o fígado e os ruins. Além disso, podem causar agranulocitose que é uma alteração grave no exame de sangue. Então, as pessoas acham que se automedicar não tem problema, porque você chega na farmácia e os medicamentos estão lá disponíveis. Mas é importante dizer, estes medicamentos podem causar falência do fígado e dos rins', explica a psiquiatra.

Segundo Amanda Lima, existem medicamentos que podem levar a quadros depressivos, de ansiedade ou de ativação que é quando a pessoa fica acelerada dentro de um quadro de transtorno bipolar. Então, algumas medicações, como os corticoides, estão ligadas ao aumento do risco de depressões e ansiedade.

O ideal é sempre se consultar com um médico especialista da área para definir o tratamento específico para cada caso. 'O tratamento correto para quem está com o emocional abalado por causa do fim de um relacionamento, luto ou perda de emprego é a psicoterapia com o psicólogo. Ele vai ajudar a pessoa a passar por este momento de estresse pra não virar um trauma. Lembrando que o estado emocional abalado não tem indicação de medicação psiquiátrica. A medicação psiquiátrica só é indicada quando existe um transtorno bem relatado. O estado emocional abalado é diferente de depressão, diferente de um trauma', detalha a psiquiatra Amanda Lima.