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Dengue assintomática: 'infecção silenciosa' e 'risco invisível' preocupam autoridades

Min. da Saúde estima que a categoria atinge entre 70% a 80% dos casos de dengue, dificultando a identificação e o tratamento precoce da doença no Brasil

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A dengue assintomática, forma da doença que não apresenta sintomas perceptíveis, pode ser tão grave quanto a comum e preocupa as autoridades ao contribuir com o aumento da "transmissão silenciosa" dos casos.

A dengue assintomática pode ocorrer em qualquer faixa etária, incluindo crianças. O Ministério da Saúde estima que a categoria acometa entre 70% a 80% dos casos e desafia o controle da doença, pois dificulta a identificação e o tratamento precoce.

Isso significa que para cada 100 mil habitantes no país, 321,9 pessoas foram infectadas com dengue.

A expectativa é que Minas Gerais vivencie o pior ano da história da dengue em 2024, em comparação com anos epidêmicos anteriores, de acordo com a Secretaria de Saúde.

Belo Horizonte decretou epidemia de dengue e estado de emergência em fevereiro, após o aumento súbito de casos em comparação com 2023.

Grave

A dengue assintomática pode ser tão grave quanto a forma sintomática da doença - que é caracterizada por febre alta, dores musculares e articulares, além de outros sintomas.

Isso pode parecer contraditório, mas a gravidade da dengue está relacionada principalmente à resposta do sistema imunológico ao vírus, gerando um "risco invisível".

Em alguns casos, mesmo na ausência de sintomas, o sistema de defesa do organismo pode reagir de forma exagerada e causar:

  • Aumento da permeabilidade vascular: pode causar extravasamento de líquido dos vasos sanguíneos para os tecidos, levando à queda de pressão arterial e, em casos graves, ao choque - que leva à falta de oxigênio nos órgãos e tecidos.
  • Hemorragias: o vírus da dengue pode afetar as plaquetas, responsáveis pela coagulação do sangue. Isso pode levar a sangramentos leves, como manchas na pele, ou a sangramentos graves, como hemorragia interna.
  • Falha de órgãos: em casos raros, a resposta inflamatória pode ser tão intensa que pode levar à falha de órgãos, como fígado, rins e pulmões.

Especialistas indicam que o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para evitar complicações da doença.

Em caso de suspeita de dengue assintomática, consulte um médico para avaliação e acompanhamento.

Como saber se você teve dengue assintomática?

1. Teste de sorologia:

O teste de sorologia é o método mais indicado pelo Min. da Saúde para detectar a dengue assintomática pela presença de anticorpos específicos contra o vírus da dengue no sangue.

O exame pode ser realizado em qualquer momento após a infecção, mas o ideal é esperar pelo menos 7 dias após o início dos sintomas para que os anticorpos sejam detectáveis.

Nos casos de dengue assintomática, o ideal é esperar pelo menos 10 dias após a data em que o indivíduo acredita ter se infectado para realizar o teste, que pode ser feito em laboratórios públicos e privados no Brasil.

2. Sinais de alerta:

Mesmo na forma assintomática, a dengue pode causar alterações discretas no hemograma, como:

  • Leve queda de plaquetas (plaquetopenia)
  • Discreto aumento do hematócrito (concentração de glóbulos vermelhos no sangue)
  • Leve alteração nas transaminases (enzimas do fígado)

Se o paciente apresentar algum dos sinais de alerta acima, mesmo sem outros sintomas associados, é importante realizar o teste de sorologia para dengue.

3. Histórico de exposição:

Se a pessoa reside ou esteve em área com risco de transmissão de dengue, é importante considerar a possibilidade de ter contraído a doença mesmo sem apresentar sintomas.

A exposição ao mosquito Aedes aegypti, vetor da doença, aumenta a chance de ter contraído dengue assintomática.

O histórico de contato con pessoas que contraíram dengue pode ser um indicativo, mas não é um diagnóstico definitivo

4. Monitoramento e acompanhamento médico:

Se você acredita ter tido dengue assintomática, é importante monitorar sua saúde e consultar um médico para avaliação e acompanhamento.

Segundo o Ministério da Saúde, é possível que alguém desenvolva dengue assintomática e depois apresente sintomas, com riscos à saúde.

O médico poderá solicitar exames complementares para verificar se houve alguma alteração no hemograma ou outras complicações da doença.

5. Prevenção:

A melhor forma de prevenir a dengue, inclusive a forma assintomática, é evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti.

De acordo com o Min. da Saúde, os principais medidas de prevenção são:

  • Eliminar os criadouros do mosquito, como água parada em vasos de plantas, pneus velhos, calhas e lajes.
  • Usar repelentes e roupas que protejam o corpo do mosquito.
  • Instalar telas de proteção nas janelas e portas.

É importante ressaltar que a vacinação não substitui as medidas de controle do vetor e de proteção individual.

Importante!

Fatores de risco para dengue grave, mesmo que assintomática:

  • Idade avançada
  • Doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e doenças cardíacas
  • Obesidade
  • Gravidez
  • Infecção secundária (já ter sido infectado pelo vírus anteriormente)

De acordo com o Min. da Saúde, os sintomas da dengue, geralmente, são:

  • dor abdominal (dor na barriga) intensa e contínua;
  • vômitos persistentes;
  • acúmulo de líquidos em cavidades corporais (ascite, derrame pleural, derrame pericárdico);
  • hipotensão postural e/ou lipotímia;
  • letargia e/ou irritabilidade;
  • aumento do tamanho do fígado (hepatomegalia) > 2cm;
  • sangramento de mucosa; e
  • aumento progressivo do hematócrito.

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Por

Formado em Jornalismo pela UFMG, com passagens pelo jornal Estado de Minas/Portal Uai. Hoje, é repórter multimídia da Itatiaia.