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David Byrne: ex-Talking Heads continua reinventando a própria carreira

Artista transforma limitações técnicas em novas ideias para shows, filmes e projetos que cruzam música, movimento e imagem.

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David Byrne: ex-Talking Heads
David Byrne: ex-Talking Heads continua reinventando a própria carreira • Reprodução

Um palco sem cabos, pedestais ou músicos presos a posições fixas ajuda a explicar a inquietação criativa de David Byrne. Em vez de repetir a fórmula que consagrou o Talking Heads, ele continua desmontando a estrutura tradicional dos concertos para descobrir novas maneiras de aproximar artistas e público.

Essa busca volta ao centro das atenções com o relançamento de American Utopia em versão 4K nos cinemas. Dirigido por Spike Lee, o filme registra um espetáculo no qual os integrantes circulam livremente pelo palco, carregando instrumentos e participando de coreografias que transformam cada canção em uma cena visual.

A reinvenção começa pela forma de ocupar o palco

Byrne percebeu que guitarras sem fio poderiam libertar parte da banda, mas o desafio permanecia com teclados e bateria. A solução surgiu ao observar músicos de bandas marciais, escolas de samba e formações em que o ritmo é dividido entre várias pessoas.

Em American Utopia, seis percussionistas executavam as partes que normalmente dependeriam de uma bateria fixa. No espetáculo mais recente, quatro bateristas dividem o palco com dançarinos que também tocam instrumentos, enquanto uma tela curva transporta as músicas para cenários como florestas, ruas e a superfície da Lua.

Criar também significa abandonar hábitos

A parceria com Brian Eno ajudou Byrne a incorporar improvisação, ruídos inesperados e a ideia de usar o estúdio como instrumento. O objetivo não era aperfeiçoar uma fórmula pronta, mas interromper padrões antes que se transformassem em acomodação e tendência.

Esse princípio aparece até quando ele trabalha como produtor: interferir apenas quando há algo construtivo a acrescentar e recuar para permitir que a identidade de quem está criando apareça.

Cinema ainda faz parte dos planos

Byrne também pretende voltar à direção de filmes. A experiência com True Stories, lançado em 1986, foi positiva, mas o controle criativo diminuiu quando financiadores passaram a participar das decisões. As câmeras digitais e a edição em computador tornaram esse retorno mais viável, já que reduzem custos e devolvem autonomia ao realizador.

Até os encontros do início da carreira permanecem como ferramentas de aprendizado. Lou Reed chegou a sugerir que uma música do Talking Heads fosse tocada de maneira mais lenta; Byrne não seguiu o conselho por completo, mas guardou a lógica de observar uma criação por um ângulo diferente.

A reinvenção de David Byrne não depende de apagar o passado. Ela nasce da disposição de desmontá-lo, examinar suas peças e reorganizá-las sempre que uma nova possibilidade aparece.

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Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.

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