Cientista ligada à NASA diz que “morreu 3 vezes” e descreve o que viu
Relato pessoal reacende debate científico sobre experiências de quase morte

O relato que voltou a circular
Histórias de experiências de quase morte voltaram ao centro das redes sociais com a repercussão de entrevistas da cientista Ingrid Honkala. Com carreira ligada à ciência marinha e participação em projetos associados à NASA, ela afirma ter passado por três episódios em que perdeu sinais vitais e teve percepções que descreve como “fora do corpo”.
Segundo Honkala, os episódios ocorreram em diferentes momentos da vida, incluindo um acidente na infância. Em entrevistas recentes, ela relata sensações de deslocamento da consciência, ausência de dor e um ambiente descrito como estável e silencioso. Esses elementos aparecem com frequência em relatos semelhantes ao redor do mundo, o que explica a rápida viralização do caso.
O que são experiências de quase morte
Na literatura científica, esses episódios são conhecidos como experiências de quase morte, ou EQMs. O termo descreve situações em que uma pessoa passa por um evento extremo, como parada cardíaca, trauma grave ou falta de oxigênio, e relata percepções incomuns durante o período.
Estudos conduzidos por instituições como o National Institutes of Health indicam que esses relatos podem incluir sensação de sair do corpo, visão de luz intensa, percepção ampliada do ambiente e distorção do tempo. Esses padrões aparecem em diferentes culturas, o que mantém o interesse científico sobre o tema.
O que a ciência consegue explicar
A maior parte da comunidade científica interpreta essas experiências a partir de processos biológicos. Em situações extremas, o cérebro pode sofrer alterações significativas, incluindo hipóxia, que é a redução de oxigênio, e mudanças na atividade elétrica cerebral.
Pesquisas também indicam aumento na liberação de substâncias como endorfinas e neurotransmissores ligados ao prazer e à percepção. Esse conjunto de fatores pode gerar sensações intensas de calma, imagens vívidas e sensação de deslocamento.
Outro ponto estudado é a atividade cerebral registrada em momentos próximos à morte. Alguns experimentos mostram picos de atividade elétrica pouco antes da parada completa, o que pode estar associado a experiências conscientes mesmo em estados críticos.
O que ainda não tem resposta
Apesar dos avanços, nem todos os aspectos dessas experiências são plenamente compreendidos. A recorrência de relatos com características semelhantes em diferentes partes do mundo levanta questões sobre a natureza da consciência.
Alguns pesquisadores investigam se essas percepções são exclusivamente internas ou se há componentes ainda não explicados pelos modelos atuais da neurociência. No entanto, não há consenso científico que valide interpretações relacionadas a pós-vida como fato.
O que existe hoje é um campo de estudo aberto, onde diferentes hipóteses continuam sendo testadas.
Por que o tema volta com força
O caso de Honkala ganha repercussão em um momento em que discussões sobre consciência e limites da mente humana voltam ao centro do debate. O avanço de tecnologias como inteligência artificial e neurociência amplia o interesse por temas que envolvem percepção e existência.
Além disso, relatos pessoais têm forte impacto emocional. Quando associados a uma trajetória científica, como no caso de Honkala, ganham ainda mais visibilidade, mesmo que não representem evidência científica conclusiva.
Entre experiência pessoal e evidência científica
O relato da cientista não é tratado como comprovação de pós-vida dentro da ciência. Ele é entendido como experiência individual que pode contribuir para o estudo da consciência humana em situações extremas.
A diferença entre narrativa pessoal e evidência científica é central nesse debate. Enquanto histórias como a de Honkala despertam interesse e reflexão, a validação de fenômenos exige repetição, medição e análise controlada.
Esse equilíbrio entre curiosidade e rigor é o que mantém o tema relevante. Ele não oferece respostas definitivas, mas amplia as perguntas sobre como a mente humana funciona nos limites da vida.
Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.


