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Chá de realidade: a nova onda do conteúdo sem filtros nas redes

Bastidores e processos ganham espaço, deixando de lado a estética perfeita

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Chá de realidade: a nova onda do conteúdo sem filtros nas redes • Ia

O “chá de realidade” explica uma mudança clara nas redes sociais

Nos últimos meses, um comportamento vem ganhando força nas redes sociais brasileiras: a valorização de conteúdos mais reais, espontâneos e menos editados. Popularmente chamado de “chá de realidade”, esse movimento reflete um cansaço coletivo com a estética perfeita que dominou plataformas como Instagram e TikTok nos últimos anos.

Na prática, o público passou a se interessar mais por conteúdos que mostram bastidores, erros, processos e até momentos comuns do dia a dia. A lógica mudou. Em vez de buscar apenas inspiração estética, as pessoas querem identificação. Esse tipo de conteúdo tende a gerar mais conexão porque aproxima quem cria de quem consome.

O que é real content e por que ele cresce no Brasil

O chamado real content, ou conteúdo sem filtro, não surgiu do nada. Ele é uma resposta direta ao excesso de edição, curadoria extrema e construção de uma vida idealizada nas redes sociais.

Esse formato prioriza a transparência. Criadores mostram o processo, não só o resultado. Isso inclui falhas, dúvidas, improvisos e até momentos considerados sem graça. O efeito disso é claro: o conteúdo passa a parecer mais humano e menos publicitário.

No Brasil, esse movimento ganha força por um fator cultural importante: a valorização da proximidade e da informalidade. Perfis que compartilham a realidade tendem a criar vínculos mais fortes com a audiência, o que se traduz em maior engajamento, algo que já é observado por profissionais de marketing digital e plataformas de conteúdo.

Como o real content muda o lifestyle digital

No universo lifestyle, essa mudança altera completamente a forma de consumo de conteúdo. Antes, o foco estava no resultado final: o corpo ideal, a casa perfeita, a rotina organizada. Agora, o interesse se desloca para o caminho até esses resultados.

Isso impacta diretamente áreas como bem estar, moda, alimentação e rotina. Mostrar o processo, com erros e ajustes, passou a ser mais relevante do que apresentar um padrão inalcançável.

Essa transformação também influencia a forma como as pessoas se enxergam. Ao consumir conteúdos mais reais, a comparação tende a diminuir, já que a referência deixa de ser uma versão editada da vida.

O impacto direto nas marcas e no marketing

O movimento também já chegou às estratégias de marcas. Empresas que antes apostavam em campanhas altamente produzidas começam a incluir conteúdos mais espontâneos e menos roteirizados.

Em vez de apenas apresentar o produto pronto, algumas marcas mostram o desenvolvimento, o dia a dia da equipe e até desafios internos. Isso não é apenas estética, é estratégia. A percepção de autenticidade aumenta a confiança do consumidor.

Esse tipo de abordagem está alinhado com o comportamento atual do público, que valoriza transparência e tende a rejeitar conteúdos excessivamente publicitários.

Exemplos de criadores que seguem essa linha

No Brasil, alguns nomes conhecidos já adotam esse formato com mais frequência. A influenciadora Gabriela Pugliesi passou a compartilhar momentos mais reais da rotina, incluindo dificuldades e mudanças pessoais ao longo do tempo.

Outro exemplo é Tatá Werneck, que utiliza o humor e a espontaneidade para mostrar bastidores da vida profissional e pessoal, sem preocupação com perfeição estética.

Esses perfis ajudam a consolidar o comportamento, mostrando que o engajamento não depende mais de uma imagem idealizada.

Existe impacto real na saúde mental?

Há uma percepção crescente, embora não seja possível generalizar para todos os casos, de que conteúdos mais realistas reduzem a pressão estética nas redes sociais.

Instituições como a American Psychological Association já apontaram, em diferentes publicações, que o consumo excessivo de imagens idealizadas pode afetar autoestima e bem estar, especialmente entre jovens.

Nesse contexto, conteúdos mais autênticos tendem a funcionar como contraponto, criando um ambiente digital menos comparativo e mais próximo da realidade.

O “chá de realidade” é tendência ou mudança definitiva?

Ainda não é possível afirmar com certeza se esse movimento substituirá completamente o modelo anterior, mas há sinais consistentes de que ele não é apenas passageiro.

O comportamento do público mudou. Plataformas estão priorizando conteúdos com maior retenção e interação real, e isso favorece formatos mais espontâneos.

Mais do que uma tendência, o “chá de realidade” indica uma transformação na forma como as pessoas se relacionam com o conteúdo digital. A estética continua importante, mas deixou de ser o único fator de relevância.

O que cresce agora é algo mais difícil de produzir, mas muito mais poderoso: a sensação de verdade.

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Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.