Bandas femininas que estão mudando o pop alternativo além do Boygenius
Grupos liderados por mulheres unem identidade visual, letras autorais e novos caminhos para o indie e o rock contemporâneo.

O sucesso do Boygenius ajudou a colocar um novo foco sobre um movimento que já vinha ganhando força na música alternativa. Formado por Phoebe Bridgers, Julien Baker e Lucy Dacus, o trio conquistou público e crítica ao mostrar que um projeto coletivo poderia manter identidade artística sem abrir mão da individualidade de cada integrante.
O reconhecimento veio com turnês internacionais, festivais e prêmios, mas o impacto do grupo foi além da própria discografia. Ele despertou atenção para uma geração de bandas femininas que vem renovando o pop alternativo e o indie rock.
Esses grupos compartilham algumas características. As composições costumam priorizar experiências pessoais, amizade, saúde mental, relacionamentos e questões sociais. A produção musical mistura influências do rock, folk, pop e pós-punk, enquanto a identidade visual foge de padrões tradicionais da indústria. Em vez de figurinos exuberantes ou coreografias elaboradas, muitas dessas artistas apostam em uma estética construída a partir da autenticidade, transformando o palco em extensão da própria personalidade.
As bandas que estão redesenhando o cenário alternativo
O crescimento desse movimento pode ser observado em diferentes países. Cada banda segue um caminho próprio, mas todas compartilham a valorização da autoria e da construção de uma identidade artística consistente.
Entre os principais nomes estão:
- The Last Dinner Party, que combina rock alternativo, teatralidade e referências da literatura e da moda clássica.
- HAIM, formada pelas irmãs Danielle, Este e Alana Haim, conhecidas por misturar pop, rock e influências do folk californiano.
- Wet Leg, responsável por revitalizar o indie britânico com letras bem-humoradas e guitarras marcantes.
- The Linda Lindas, grupo que aproximou uma nova geração do punk com discursos sobre diversidade e inclusão.
- MUNA, banda que une synth-pop, indie e temas ligados à identidade, relacionamentos e liberdade criativa.
Embora tenham sonoridades diferentes, esses grupos compartilham uma característica importante: não seguem um modelo único de sucesso. Em vez de reproduzir fórmulas já consolidadas, cada projeto constrói uma linguagem própria, aproximando públicos que valorizam autenticidade e liberdade artística.
Música, moda e identidade caminham lado a lado

A influência dessas bandas ultrapassa os serviços de streaming. A estética adotada por elas também passou a inspirar editoriais de moda, campanhas publicitárias e coleções de grandes marcas. Em vez do glamour tradicional do pop, muitas artistas adotam peças oversized, alfaiataria desconstruída, camisetas vintage, gravatas, botas, couro, brechós e elementos que transitam entre o masculino e o feminino.
Algumas tendências que ganharam força a partir desse universo incluem:
- Alfaiataria com modelagem ampla.
- Gravatas e camisas reinterpretadas em produções femininas.
- Jaquetas de couro de inspiração vintage.
- Camisetas de bandas combinadas com peças de alfaiataria.
- Vestidos com botas de cano alto.
- Mistura entre referências clássicas e streetwear.
Esse diálogo entre música e moda não é novidade, mas ganhou novos contornos com a ascensão das redes sociais. Shows, festivais e videoclipes passaram a influenciar tendências quase em tempo real, aproximando o guarda-roupa do universo musical de forma muito mais rápida do que em décadas anteriores.
O resultado é um cenário em que a estética deixou de ser apenas um complemento da música para se tornar parte da narrativa de cada banda. O sucesso do Boygenius ajudou a ampliar esse olhar, mas o movimento vai muito além do trio. Uma nova geração de grupos femininos mostra que identidade visual, composições autorais e colaboração podem caminhar juntas, criando um dos momentos mais interessantes da música alternativa contemporânea.
Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.



