Vídeo: servidora questiona Simões sobre interrupção de cirurgias
Governador fez visita ao Hospital João XXIII na segunda-feira (23) e ouvir questionamentos e reclamações de servidores

O recém-empossado governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), foi questionado por uma servidora do Hospital João XXIII durante visita “surpresa” à instituição de saúde nesta segunda-feira (23). Conforme imagens divulgadas nas redes sociais, a mulher relata dificuldades na realização de cirurgias na unidade devido a interrupção de cirurgias ortopédicas no Hospital Maria Amélia Lins (HMAL).
“Um monte de paciente precisando operar, e os cirurgiões aqui ficam sem conseguir operar, até que horas?”, declarou a servidora. “No momento em que o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) tirou da minha mão a decisão, eles é que vão administrar o problema, então vocês podem ir conversar com o conselheiro”, rebateu Simões.
Servidora questiona Simões sobre interrupção de cirurgias em MG: ‘Um monte de paciente precisando operar’
📹 Imagens cedidas à Itatiaia
📲 Leia mais em https://t.co/ze8WN7tHaV pic.twitter.com/qLyyCssHmW— Itatiaia (@itatiaia) March 24, 2026
“Minha posição é simples, eu sou administrador, se ele quer administrar, ele toma a decisão sozinho”, acrescentou, seguindo: “quando ele (o TCE) quiser dar palpite, ele assume o problema”.
Em setembro do ano passado, o TCE-MG determinou que a Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig) abrisse seis salas cirúrgicas em hospitais da capital para compensar a interrupção de cirurgias ortopédicas no HMAL.
Duas unidades foram instaladas no Hospital Júlia Kubitschek, duas no Hospital João XXIII e outras duas em outro hospital da rede Fhemig na Grande BH.
Em abril, o TCE-MG paralisou, liminarmente, o processo de cessão do Hospital Maria Amélia Lins após denúncias de sindicatos e parlamentares, e solicitou mais informações da Fhemig para sequência da tramitação do processo na Corte.
A Fundação informou que a demanda do HMAL havia sido absorvida pelo Hospital João XXIII. Contudo, a área técnica do Tribunal decidiu por uma inspeção in loco na unidade de saúde para analisar a capacidade dele em receber os pacientes do hospital.
“O que ficou evidenciado durante os trabalhos desta equipe de inspeção foi que o cenário otimista, apresentado na motivação da Fhemig para o lançamento do Edital FHEMIG/HMAL nº 01/25, não se confirmou”, apontou o relator, em sua decisão, à época.
O relator ainda reforçou que a “a concentração das ações e dos serviços públicos de saúde do Hospital Maria Amélia Lins no Hospital João XXIII afetou negativamente a capacidade de atendimento do Complexo Hospitalar de Urgência e Emergência desta capital”.
“Desde então, houve redução da taxa mensal de intervenções cirúrgicas, aumento do número de transferências ortopédicas e não-ortopédicas e da taxa de ocupação média do Hospital João XXIII, além da ausência de comprovação de absorção dos profissionais do Hospital Maria Amélia Lins pelo Hospital João XXIII”, diz a decisão.
Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.
