Belo Horizonte
Itatiaia

Vereadores de BH derrubam veto do prefeito a projeto de Nikolas que proíbe uso da linguagem neutra

Decisão tomada pelo prefeito Fuad Noman foi revertida nesta terça-feira (8) pelos integrantes do Legislativo municipal

Por
Linguagem neutra tem sido tema constante de debates na Câmara Municipal de BH
Linguagem neutra tem sido tema constante de debates na Câmara Municipal de BH • Luiz Santana/ALMG

Os vereadores de Belo Horizonte decidiram, nesta terça-feira (8), derrubar o veto do prefeito Fuad Noman (PSD) a um projeto de lei (PL) que proíbe o uso da linguagem neutra nas escolas da cidade. A proposta barrada pela Prefeitura de BH foi dividida em três partes e, em todas as votações, os parlamentares decidiram manter o teor da proibição prevista pelo projeto

O pelo que impede a linguagem neutra foi apresentado pelo hoje deputado federal Nikolas Ferreira (PL) em 2021, quando ele atuava como vereador. Em abril, o texto passou pelo crivo da Câmara, mas, no mês seguinte, acabou vetado por Fuad, que alegou “inconstitucionalidade formal”.

Durante a reunião plenária desta terça, parlamentares de partidos como PDT, PT e Psol defenderam a manutenção da decisão do prefeito. Outro grupo, ideologicamente posicionado à direita e formado por políticos de legendas como PP, Patriota, Novo e Podemos, advogaram em prol do projeto proposto por Nikolas.

O objetivo da maioria dos integrantes da Câmara Municipal, é impedir, por exemplo, a utilização da expressão “todes” no lugar de “todos”. Podem ser proibidos, ainda, os termos “menines” (e não meninas), “elu” (em lugar de eles ou elas) e “alunxs” (em lugar de alunos).

Opiniões distintas 

O vereador Bráulio Lara, do Novo, comemorou a derrubada do veto. “Belo Horizonte deu um recado bem claro. Linguagem neutra, aqui, não. Escola é lugar de ensinar a língua portuguesa. Isso vai marcar a história da cidade. Deixamos muito claro o que a gente quer”, disse.

Já Cida Falabella, do Psol, defendeu a utilização da linguagem neutra. “(A derrubada do veto) é criar um ambiente na escola de perseguição a professores, alunas, alunos e alunes. Isso, a gente não pode permitir. O veto é correto. É um projeto inconstitucional”, protestou.

Ao vetar a proposta, em maio, Fuad se amparou em entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF). Em fevereiro deste ano, a Corte decidiu que estados e municípios não podem legislar a respeito de normas sobre o ensino.

Por

Graduado em Jornalismo, é repórter de Política na Itatiaia. Antes, foi repórter especial do Estado de Minas e participante do podcast de Política do Portal Uai. Tem passagem, também, pelo Superesportes.