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PL mantém impasse sobre vice de Flávio Bolsonaro às vésperas da convenção

Preferência do senador é Daniella Marques, mas resistências no partido e negociações com o Republicanos impedem definição da chapa presidencial

PorBrasília
Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República. • Carlos Moura/Agência Senado

A menos de uma semana da convenção nacional do Partido Liberal (PL), marcada para o próximo dia 25 de julho, a legenda ainda não definiu quem ocupará a vaga de vice na chapa presidencial encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O impasse expõe as dificuldades do partido para fechar alianças com siglas do Centrão e ameaça levar a convenção sem uma definição sobre a composição da chapa.

Nos bastidores, a preferência de Flávio Bolsonaro continua sendo pela economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal durante o governo Jair Bolsonaro. Atual filiada ao Republicanos, ela coordena a elaboração do programa econômico da campanha e passou a integrar agendas públicas ao lado do senador, sendo vista por aliados como um nome capaz de ampliar o diálogo com o mercado financeiro e reduzir a rejeição do candidato entre o eleitorado feminino, após um atrito público com a ex-primeira dama, Michelle Bolsonaro.

Apesar da preferência do presidenciável, a escolha encontra obstáculos tanto dentro quanto fora do PL.

Dirigentes da legenda avaliam reservadamente que Daniella possui pouca experiência eleitoral e baixo nível de conhecimento junto ao eleitorado. Segundo apuração da CNN Brasil, integrantes da direção nacional do partido, incluindo aliados do presidente Valdemar Costa Neto, defendem que o vice seja alguém com maior peso político e capacidade de agregar tempo de televisão, estrutura partidária e palanques estaduais.

Além da resistência interna, o PL depende de um entendimento com o Republicanos para viabilizar a indicação. As negociações, entretanto, seguem travadas por divergências sobre as alianças estaduais.

Em Mato Grosso, por exemplo, o PL mantém o apoio à candidatura do senador Wellington Fagundes ao governo estadual, enquanto o Republicanos aposta na reeleição do governador Otaviano Pivetta. Em Roraima, as duas legendas também divergem sobre os palanques locais, dificultando um acordo nacional.

Outro fator que pesa nas conversas é a própria posição do Republicanos na disputa presidencial. A legenda ainda não decidiu oficialmente se apoiará um candidato ao Palácio do Planalto ou se adotará uma postura de neutralidade, mantendo liberdade para seus diretórios estaduais.

Antes de concentrar esforços no Republicanos, o PL tentou construir uma aliança com a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP. As negociações, porém, perderam força nas últimas semanas após divergências entre as lideranças das siglas e dificuldades para acomodar interesses regionais.

Com a aproximação da convenção, aliados de Flávio Bolsonaro trabalham para anunciar o vice até o próximo sábado. Caso não haja consenso, uma das alternativas discutidas é homologar apenas a candidatura do senador durante a convenção e deixar a definição do companheiro de chapa para os dias seguintes, dentro do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral para o registro das candidaturas.

Nos bastidores, interlocutores da campanha afirmam que, embora Daniella Marques siga como favorita do senador, a decisão final dependerá menos da preferência pessoal de Flávio e mais da capacidade do PL de transformar a vaga de vice em um ativo para ampliar sua coalizão eleitoral.

Por, Repórter

João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.