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TRE-MG dá três dias a Meta e X para entregar novos dados em investigação contra Nikolas Ferreira

O relator do caso quer cruzar as informações das páginas de terceiros com os dados do perfil oficial do deputado para investigar se há coincidência de administradores ou de dispositivos utilizados na publicação de um documento falso da PF

Por e , Brasília
Deputado federal Nikolas Ferreira (PL)
Deputado federal Nikolas Ferreira (PL) • Kayo Magalhaes / Câmara dos Deputados

O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) determinou nesta terça-feira (6) que a Meta e o X (antigo Twitter) apresentem novos dados sobre a divulgação de um documento falso atribuído à Polícia Federal (PF) pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). A medida faz parte de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que apura suposto abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação social durante a campanha eleitoral.

Na decisão, o desembargador responsável pelo caso afirma que “a falsidade do documento impugnado é fato incontroverso”, uma vez que a autenticidade do material já não é contestada no processo. Segundo o magistrado, a falsidade foi reconhecida pela própria defesa de Nikolas e pela PF, conforme informação apresentada pelo autor da ação.

Com isso, agora a apuração se concentra nas circunstâncias da divulgação, na origem do arquivo e no alcance que o conteúdo teve nas redes sociais. Foi solicitado informações sobre horários, métricas e registros relacionados às publicações.

Por sua vez, o X informou que duas publicações foram apagadas pelos usuários em 3 de setembro e por isso o repost deixa de existir. No entanto, o relator entendeu que isso não exime a plataforma da obrigação de buscar dados que ainda estejam disponíveis e lembrou que é dever do X colaborar com a justiça.

Já em relação à Meta, a Justiça quer aprofundar a apuração sobre a página Nikolasferreirateam apontada nos autos como responsável pela primeira divulgação conhecida da imagem no Instagram. A plataforma já entregou e-mail e telefone vinculados ao administrador, mas deverá fornecer registros de acesso e endereços IP. Mas terá que informar o alcance do story publicado no dia três de setembro, número de visualizações, contas alcançadas, respostas, encaminhamentos e interações, além dos horários exatos de publicação e remoção.

O prazo será de três dias para apresentar parte dos registros requisitados ou justificar tecnicamente a impossibilidade de fornecê-los.

Segundo a decisão, as informações adicionais servirá para comparar com os dados do administrador do perfil oficial do deputado. A análise entre as páginas e eventual coincidência de administradores ou de dispositivos pode ser relevante para validar ou não a defesa de Nikolas, que apenas compartilhou conteúdo produzido por terceiros.

A ação foi apresentada pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG), adversário de Nikolas na disputa eleitoral por uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições deste ano. O petista acusou o parlamentar de ter divulgado em seus perfis oficiais no Instagram e no X um documento manipulado para simular uma conclusão da PF de que não havia indícios de crime em diálogos entre Nikolas e Daniel Vorcaro, extraídos de um aparelho do ex-banqueiro apreendido na Operação Compliance Zero.

Se a ação for concluída e a denúncia for aceita pela Justiça Eleitoral as sanções previstas para abuso eleitoral podem incluir cassação do registro ou do diploma eleitoral e inelegibilidade por oito anos, a depender da responsabilidade e da gravidade dos atos praticados.

Defesa diz que Nikolas não é o responsável pelo documento

A defesa de Nikolas afastou a possibilidade do parlamentar ter sido o idealizador do documento. Segundo eles, Nikolas apenas compartilhou o material acreditando que fosse verdadeiro, após a informação circular em um site e em perfis de terceiros. Os advogados informaram os horários das publicações para comprovar que a divulgação no perfil oficial do deputado foi um repost de outras páginas. Eles ainda sustentam que interromperam a divulgação no mesmo dia após questionarem a autenticidade do documento.

Porém, o relator entendeu que mesmo se o argumento for verdadeiro, não há segurança no risco de que Nikolas volte a divulgar o documento, destacando que a publicação foi retirada depois que o parlamentar tomou conhecimento da não autenticidade do material.

Portanto, o desembargador negou o pedido que buscava proibir Nikolas de voltar a publicar ou compartilhar o documento sob pena de suspensão de seus perfis por 15 dias.

Em áudio extraído pela PF do celular do ex-banqueiro, o parlamentar pediu ajuda para tratar de uma pendência envolvendo um ativo minerário de interesse de um ex-assessor. Nikolas confirmou que conversou algumas vezes com Vorcaro, mas negou relação próxima, irregularidades ou recebimento de dinheiro do empresário. O pedido de investigação foi feito no dia seguinte, quando começou a circular o documento supostamente falso na internet.

 

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Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.

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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio

 

 

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