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STF tem maioria para fixar regras para o pagamento de 'penduricalhos'

Tese estabelece teto para benefícios extras, padroniza verbas indenizatórias e tenta conter supersalários no funcionalismo

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Zema defende mudança no Supremo
Zema defende mudança no Supremo • Rosinei Coutinho/STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria de votos nesta quarta-feira (25) para definir novas regras para o pagamento dos chamados “penduricalhos” no serviço público.

Os penduricalhos são benefícios que, somados aos salários, podem ultrapassar o teto constitucional e gerar os chamados supersalários.

Até o momento, os ministros Luiz Fux, André Mendonça, Nunes Marques e Dias Toffoli acompanharam um voto conjunto apresentado pelos relatores dos processos, os ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin.

Na tese, os ministros fixaram critérios para limitar e padronizar os pagamentos dos penduricalhos em todo o país.

Os ministros decidiram limitar o valor total dos penduricalhos pagos por mês a 35% do valor do teto do funcionalismo, hoje em R$ 46,3 mil. O que na prática, permite até R$ 16,2 mil em adicionais.

Os ministros também instituíram um adicional por tempo de serviço, com acréscimo de 5% a cada cinco anos, limitado ao máximo de 35%.

Pagamentos permitidos

O STF definiu uma lista de verbas que poderão ser pagas como “penduricalhos”:

  • adicional por tempo de serviço (5% a cada cinco anos, até 35%);
  • ajuda de custo em caso de mudança de domicílio por remoção, promoção ou nomeação;
  • pró-labore por atividade de magistério;
  • gratificação por exercício em comarcas de difícil provimento;
  • indenização por férias não usufruídas (limitada a 30 dias);
  • gratificação por acúmulo de funções;
  • pagamento de valores retroativos reconhecidos por decisão judicial ou administrativa posterior a fevereiro de 2026.

Todos esses valores também estarão sujeitos ao limite global de 35% do subsídio.

Regras para retroativos

A tese aprovada prevê ainda que valores retroativos anteriores a fevereiro de 2026 só poderão ser pagos após auditoria e com autorização do próprio STF.

Já os valores reconhecidos após essa data poderão ser quitados, desde que respeitados os critérios estabelecidos.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) ficará responsável por padronizar os pagamentos para magistrados em todo o país.

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Repórter de política em Brasília, com foco na cobertura dos Três Poderes. É formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB) e atuou por três anos na CNN Brasil, onde integrou a equipe de cobertura política na capital federal. Foi finalista do Prêmio de Jornalismo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) em 2023.