STF barra efeitos de decisão da Justiça Inglesa em ações sobre tragédia de Mariana
Ministro Flávio Dino afirma que municípios podem firmar acordos no Brasil sem aval de tribunal estrangeiro

Em meio à disputa internacional por indenizações relacionadas a tragédia causada pelo rompimento da barragem da mineradora Samarco, em 2015, na cidade de Mariana (MG), o ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, decidiu que municípios brasileiros podem firmar acordos no país sem depender de autorização da Justiça inglesa.
A ação lista dezenas de municípios, incluindo cidades de Minas Gerais e do Espírito Santo atingidas pelo desastre. Mais de 40 municípios acompanhavam ação no STF.
A decisão ocorre no contexto das ações movidas no Reino Unido contra a mineradora BHP - uma das sócias da Samarco, junto com a Vale - e já condenada pela Justiça britânica pelo rompimento da barragem de Fundão. O tribunal entendeu que a empresa teve responsabilidade pela tragédia, apontando negligência grave e falhas na prevenção do desastre.
Apesar de reconhecer o direito de municípios brasileiros acionarem a empresa no exterior, a Justiça inglesa passou a impor restrições - como a exigência de autorização prévia para acordos ou desistência das ações. Foi esse ponto que motivou a reação do STF.
Na decisão, Dino foi direto ao afirmar que esse tipo de imposição não pode prevalecer:
“É inadmissível a projeção de autoridade judicial estrangeira à margem dos mecanismos formais de cooperação jurídica internacional”, justificou.
O ministro também reforçou que acordos podem ser feitos livremente no Brasil. Na prática, o entendimento garante que cidades atingidas mantêm autonomia para negociar soluções dentro do país, sem subordinação a tribunais estrangeiros.
Como está o processo?
A Justiça inglesa adiou para abril de 2027 a segunda fase do julgamento, que vai definir os valores das indenizações a serem pagas. A expectativa é que essa etapa se estenda até 2028.
O desastre de Mariana, ocorrido em novembro de 2015, deixou 19 mortos e atingiu dezenas de municípios ao longo da bacia do Rio Doce, em Minas Gerais e no Espírito Santo. Quase uma década depois, as disputas judiciais seguem em diferentes frentes, no Brasil e no exterior.
Com a decisão, o STF reforça que, embora haja ações em curso fora do país, qualquer efeito direto no Brasil precisa respeitar as regras da Justiça brasileira - e não pode ser imposto por tribunais estrangeiros.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio


