Sob críticas, eleição para conselheiros tutelares será mantida em BH
Em nota, prefeitura justifica impedimento para uso de urnas eletrônicas no processo eleitoral

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) assegurou que não irá anular as eleições para escolha de conselheiros tutelares, realizada neste domingo (1º). O pleito, que contou com votos de 50 mil eleitores, foi marcado por atrasos, filas longas e problemas envolvendo a instabilidade no sistema eleitoral, que foi desenvolvido pela Prodabel, empresa de tecnologia da PBH.
Em comunicado publicado no início da noite desta segunda-feira (2), a prefeitura diz que decidiu, junto ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e a Comissão Eleitoral do 10º Processo de Escolha dos Conselheiros Tutelares, manter o resultado do pleito.
"A decisão foi tomada considerando a lisura do processo e em respeito aos quase 50 mil eleitores que se dirigiram às seções eleitorais", afirma o Executivo municipal em nota oficial.
No documento, a prefeitura justifica que utilizou um sistema próprio para a votação deste domingo (1º), em razão de uma lei municipal que "inviabiliza" o uso de urnas eletrônicas da Justiça Eleitoral - o que ocorreu em praticamente todas as outras cidades.
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"A Lei determina a observância do endereço e que o cadastro do eleitor seja feito no momento da votação. Já as urnas disponibilizadas pela Justiça Eleitoral, que são offline, demandam que o carregamento dos dados de todos os eleitores seja feito previamente", informou a prefeitura no comunicado.
A Prefeitura de BH trabalha, agora, no envio de um projeto de lei para permitir que as urnas do TSE possam ser utilizadas no município.
O Executivo municipal disse, ainda, que irá considerar as recomendações feitas pela Defensoria Pública de Minas Gerais para as próximas eleições, marcadas para 2027, como prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente.
Pedido de informações
Ainda nesta segunda-feira (2), a Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) enviou um pedido de informações à PBH para saber detalhes relacionados ao processo de escolha dos conselheiros tutelares.
O documento é assinado pelo presidente, vereador Gabriel Azevedo (sem partido), que quer saber os dados relacionados à votação eletrônica do sistema da Prodabel e a votação física, em cédula de papel, que precisou ser utilizada em determinados locais de votação. Confira:
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1. Na votação eletrônica, como foi feita a validação e cadastro do eleitor?
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2. Na votação física, como foi feita a validação e cadastro do eleitor?
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3. Segundo a PBH, a Lei determina a observância da residência e a obrigação do cadastro dos eleitores ser feito no dia da eleição. Como foi feito esse procedimento nos dois momentos da eleição, de forma eletrônica e física?
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4. Como foi feita a verificação para assegurar que um eleitor não votasse duas vezes, de forma eletrônica e depois física? Considerando os fortes indícios de votos em duplicidade e fraude, questiono se a Prefeitura de Belo Horizonte possui lista de todos os eleitores que votaram no processo, de modo a esclarecer tal suspeita.
Mais cedo, Azevedo se disse "estarrecido" com as explicações da prefeitura para a não adoção do sistema da Justiça Eleitoral.
"A Lei Municipal 8502 de 2003, que disciplina o processo eleitoral do conselho tutelar, diz que o processo deve ser informatizado. As urnas oferecidas pelo TRE cumprem os requisitos legais e a legislação municipal não veda a utilização das mesmas. É preciso investigar os motivos reais e quanto foi gasto no desenvolvimento de tal sistema tão falho quando o município poderia ter usado, gratuitamente, os equipamentos da Justiça Eleitoral", disse o presidente da Câmara ao contestar a explicação do prefeito Fuad Noman.
Editor de política. Foi repórter no jornal O Tempo e no Portal R7 e atuou no Governo de Minas. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem MBA em Jornalismo de Dados pelo IDP.
