Senador sugere que ONU desarme o Hamas e assuma Faixa de Gaza; ministro diz que proposta seria “bloqueada” no Conselho
Segundo Mauro Vieira, o Brasil buscou um texto com maior aceitação e que garantisse ajuda humanitária na região

O senador Carlos Viana (Podemos-MG) sugeriu que a ONU desarme o Hamas e assuma a administração da Faixa de Gaza. Segundo o parlamentar, o Brasil, que preside temporariamente o Conselho de Segurança das Nações Unidas, deveria ter feito esta proposta.
A pergunta foi feita ao ministro Mauro Vieira, que participa de audiência na Comissão de Relações Exteriores, nesta quarta-feira (18), no Senado. O chanceler explicou que o governo brasileiro buscou um texto que conseguisse apoio de todos os membros do Conselho. Segundo Vieira, "a proposta não avançaria em nada e seria bloqueada no primeiro momento".
Sobre a classificação do Hamas como grupo terrorista, o embaixador reafirmou que segue as diretrizes da ONU e que o Brasil tem boa relação com Palestina e Israel, preza por isso, e que a posição foi fundamental para a repatriação dos brasileiros. Viana ainda criticou a entrada do Irã no Brics e disse que a entrada do país no bloco significa incentivo ao terrorismo já que, segundo o senador, os iranianos financiam grupos terroristas na região.
Ainda de acordo com o ministro, a proposta de resolução do Brasil foi feita com base no objetivo primordial do Brasil que é a criação de um corredor humanitário para saída dos brasileiros que estão na região do conflito e a entrada de insumos e medicamentos. A proposta da presidência brasileira foi rejeitada. O único voto contrário foi dos Estados Unidos. De 15 votantes, 12 se posicionaram a favor, dois se abstiveram e os EUA, como membro permanente, usou o poder de veto e o texto foi rejeitado. Segundo o ministro, o Brasil vai continuar insistindo no corredor humanitário e vai avaliar a apresentação de uma nova proposta. Mauro Vieira segue para os Estados Unidos nesta quarta para dar sequência às negociações.
Conselho de Segurança da ONU
O Conselho é composto por 15 membros, 5 são permanentes e com poder de veto: os Estados Unidos, a França, o Reino Unido, a Rússia e China. Os outros dez membros são eleitos pela Assembleia Geral para mandatos de dois anos, são eles: Brasil, Albânia, Equador, Emirados Árabes, Gabão, Gana, Japão, Malta, Moçambique e Suíça.
Edilene Lopes é jornalista, cientista política, repórter e colunista da Itatiaia e analista da CNN Brasil. Com experiência em coberturas nacionais e internacionais, tem ampla experiência em entrevistas exclusivas com presidentes da República. Foi eleita a melhor repórter de rádio do Brasil pelo Troféu Mulher Imprensa e também venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados.



