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Senador do PT cobra recriação da Comissão de Mortos em sessão pelos 60 anos do golpe militar

Sessão marca retorno histórico de José Dirceu ao Congresso Nacional 19 anos após cassação de mandato na Câmara dos Deputados

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Viúva de João Goulart e José Dirceu participaram de sessão pelos 60 anos do golpe militar no Senado Federal • Geraldo Magela | Agência Senado

Apesar do silêncio institucional da presidência da República diante dos 60 anos do golpe militar no Brasil, aliados do PT têm destinado cobranças e pressionado o Governo Lula pela recriação imediata da Comissão de Mortos e Desaparecidos — extinta por Jair Bolsonaro (PL) 15 dias antes do fim de seu governo. Em sessão com a presença da viúva do presidente deposto João Goulart, Maria Thereza Goulart, o senador petista Humberto Costa cobrou uma resposta para os 210 brasileiros que permanecem desaparecidos desde os anos de chumbo.

O ex-ministro da Casa Civil também afirmou que relutou em aceitar o convite do líder do governo, senador Randolfe Rodrigues (Sem partido-AP), para vir à sessão. “Desde a madrugada de 1º de dezembro [de 2005], quando a Câmara dos Deputados cassou meu mandato, nunca mais voltei ao Congresso Nacional. Mas, acredito que João Goulart merecia e merece minha presença aqui hoje”, pontuou.

Mortos e desaparecidos. A Comissão Nacional da Verdade listou 191 mortos e 210 desaparecidos em seu relatório final publicado em 2014. A investigação sobre os desaparecimentos e os assassinatos praticados pelo regime militar entre 1961 e 1979 cabia à Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, criada em 1995 e extinta por decreto de Jair Bolsonaro (PL) no apagar das luzes de sua gestão. O Ministério Público Federal (MPF) recomendou ao Governo Lula a recriação imediata do colegiado para garantir resposta aos casos ainda não solucionados — entre eles, os desaparecimentos na Guerrilha do Araguaia e os corpos encontrados na Vala de Perus. O petista ainda não cumpriu a recomendação do MPF.

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Repórter de política em Brasília. Na Itatiaia desde 2021, foi chefe de reportagem do portal e produziu série especial sobre alimentação escolar financiada pela Jeduca. Antes, repórter de Cidades em O Tempo. Formada em jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais.