Senado adia votação de PEC que limita poderes de ministros do STF
Proposta que impede decisões monocráticas no Supremo deveria ser analisada nesta terça-feira (21), mas ausências no plenário aumentaram risco do texto ser rejeitado; votação está marcada para amanhã

O Senado Federal adiou para quarta-feira (22) a votação da PEC 8/2021, chamada de PEC das decisões monocráticas, que limita os poderes dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A ideia era que a proposta fosse aprovada em dois turnos ainda nesta terça-feira (21), mas diante da ausência de senadores no plenário e da falta de consenso sobre o tema, a discussão sobre o assunto foi adiada.
O adiamento da votação foi proposto pelo próprio presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que avaliou como arriscado colocar a PEC em análise diante de um baixo quórum registrado nesta terça. Dos 81 senadores, 69 estavam presentes e, pelo regimento da Casa, a aprovação de uma PEC exige ao menos 49 votos favoráveis.
Mesmo com o adiamento, os senadores aprovaram um ‘Calendário Especial’ que permite que a PEC seja votada em primeiro e segundo turnos na mesma sessão plenária, sem que ela volte para ser analisada nas comissões. A aprovação desse calendário ocorreu por um placar de 48 votos favoráveis e 20 contrários. Ainda houve uma abstenção.
Sem revanchismo
Antes da votação, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), falou sobre a expectativa de aprovação da proposta, e negou que a limitação de poderes seja um ‘revanchismo’ da classe política contra o Supremo Tribunal Federal. “A PEC das decisões monocráticas é algo tecnicamente muito aconselhável porque significa dizer que uma lei votada nas duas Casas do Legislativo e sancionada pelo presidente da República pode ser declarada constitucional a partir do Supremo Tribunal Federal por sua força colegiada e não por uma decisão isolada de um ministro”, declarou Pacheco.
O que é?
A PEC 8/2021, chamada de PEC das Decisões Monocráticas, impede que decisões tomadas por um único ministro do Supremo possam suspender a vigência de leis ou atos dos presidentes da República, do Senado e da Câmara dos Deputados. A proposta também estabelece um novo prazo para pedidos de vista na Corte.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio
