Itatiaia

Reta final do 2º turno: Flávio promete volta do Perse; Lula, tarifa zero

Na reta final da campanha, candidatos apresentam propostas que podem ampliar os gastos públicos; Flávio defende a volta do benefício fiscal, enquanto Lula propõe transporte coletivo gratuito

Por
Flávio Bolsonaro e Lula, candidatos à Presidência da República
Flávio Bolsonaro e Lula, candidatos à Presidência da República • Anderson Romao/AGIF via AFP e Isabella Finholdt / NurPhoto via AFP

Na reta final das eleições, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciaram propostas que podem aumentar as despesas do governo. Flávio prometeu retomar o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), enquanto Lula anunciou o envio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para instituir a tarifa zero no transporte coletivo aos fins de semana.

As propostas foram apresentadas em um cenário de pressão sobre as contas públicas. A dívida bruta do governo chegou a quase 83% do Produto Interno Bruto (PIB), sem previsão de queda, conforme dados mencionados na reportagem de Taísa Medeiros durante o WW.

Flávio promete retomar benefício fiscal para eventos

Criado em 2021, durante a pandemia de Covid-19, o Perse tinha como objetivo auxiliar setores prejudicados pelas restrições sanitárias. Entre os segmentos beneficiados estavam hotelaria, restaurantes, bares e agências de turismo.

O programa foi encerrado em 2025, após acusações de irregularidades. Segundo a Receita Federal, mais de duas mil empresas utilizavam o benefício de forma ilegal em julho de 2024.

Flávio Bolsonaro argumenta que a retomada do Perse seria necessária para ajudar o setor de shows e aumentar o faturamento de comércios e motoristas de aplicativo.

A promessa contrasta com a postura de austeridade fiscal defendida pela campanha do PL durante o período eleitoral. A proposta previa um corte de R$ 200 bilhões, mas, segundo a reportagem, durou pouco e não teve uma explicação clara sobre a origem das reduções.

Além da retomada do Perse, Flávio propôs devolver parte dos valores pagos por meio de Pix em contas e parcelas. Ele, no entanto, não detalhou quais pagamentos seriam contemplados, quando a devolução aconteceria nem qual seria o impacto fiscal da medida.

Lula propõe tarifa zero no transporte coletivo

Lula anunciou que enviaria ainda naquela semana uma PEC para instituir a tarifa zero no transporte coletivo aos fins de semana.

O governo avaliou que a medida teria um impacto fiscal de aproximadamente R$ 10 bilhões, valor que seria coberto com recursos destinados a emendas parlamentares.

Para viabilizar a proposta, seria necessário que o Congresso cedesse 25% das emendas impositivas. Analistas consideram essa possibilidade improvável.

Daniel Rittner, diretor de Jornalismo da CNN em Brasília, avaliou que a proposta “não tem quase nenhuma chance de acontecer”. Ele destacou que a questão das emendas parlamentares envolve tensões institucionais relevantes.

“Haverá retaliação do Congresso, se ocorrer isso, de colocar um freio ou declarar a inconstitucionalidade das emendas impositivas”, afirmou Rittner.

A própria base governista reconhece que a proposta enfrentaria dificuldades no Parlamento.

Analistas veem disputa de promessas na reta final

Leandro Gabiati, cientista político e diretor da Dominium, classificou o cenário como “um verdadeiro leilão de promessas”.

Segundo ele, os candidatos enfrentam dificuldades para defender medidas de contenção de gastos durante a campanha.

“Se eu disser a verdade, se eu disser como candidato que eu vou cortar gastos, eu certamente não vou me eleger”, afirmou.

Gabiati também destacou que os eleitores tendem a buscar soluções simples para os problemas, sem necessariamente se aprofundar nos detalhes sobre como as políticas públicas serão financiadas.

Na avaliação do cientista político, Flávio cometeu um erro de estratégia logo após o primeiro turno ao concentrar esforços em composições políticas e na divisão de cargos, enquanto Lula intensificava a campanha.

Para ele, esse movimento se reflete nas pesquisas realizadas após o primeiro turno, nas quais a distância entre os candidatos teria caído de quatro para dois pontos ou até menos.

Diante desse cenário, segundo os analistas, Flávio teria sido levado a entrar na mesma disputa de promessas.

Analista vê populismo em proposta de Flávio

A âncora e analista de Economia da CNN Thais Herédia classificou a promessa de retomada do Perse como “puro populismo”. Ela argumentou que o programa permaneceu em vigor por mais tempo do que deveria e teve um custo elevado.

Para Herédia, a proposta contradiz a ideia defendida por Flávio de criar um “Ministério da Prosperidade”.

“Um país que quer ter prosperidade não pode achar que o Estado vai ter sempre o papel de salvador e não de criador de um ambiente para a prosperidade”, afirmou.

A analista também disse que o chamado “estelionato eleitoral” já estaria precificado pelo mercado para os dois candidatos.

Em relação a Lula, Herédia alertou que o custo poderia ser ainda maior. Segundo ela, o presidente não teria apenas de cumprir medidas que não anunciou, mas também desfazer ações já implementadas.

“Ele não vai ter que fazer o que ele não disse que faria — ele vai ter que desfazer o que ele já fez”, declarou.

A fala se refere a créditos subsidiados, à ampliação de políticas sociais e a medidas de crédito direcionado que já estão em andamento e devem gerar custos nos próximos anos.

Por

Acompanhe as últimas notícias produzidas pela CNN Brasil, publicadas na Itatiaia.

 

 

Belo Horizonte