Residência de Weverton Rocha em Brasília teria sido comprada com o dinheiro desviado do INSS
As tratativas da casa avaliada em R$ 6 milhões teria sido feita pela esposa do senador e empresas ligadas a Willer Tomaz foram usadas para ocultar a origem do dinheiro

O senador Weverton Rocha (PDT-MA) teria adquirido uma casa avaliada em R$ 6 milhões, localizada no Lago Sul, em Brasília. O imóvel, usado como residência oficial do parlamentar na capital federal, é um dos pontos centrais da nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta terça-feira (4). Segundo a investigação, a compra teve participação de uma sociedade ligada ao advogado Willer Tomaz.
De acordo com a Polícia Federal (PF), a aquisição do imóvel envolveu um pagamento inicial de R$ 4 milhões e foi concluída com outros R$ 2 milhões. Os investigadores apuram se os valores teriam origem em recursos provenientes de descontos indevidos realizados contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
As informações constam em uma decisão divulgada nesta terça-feira pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
Segundo a investigação da PF, a compra da residência foi formalizada em 2023 pela WT Administração de Imóveis e Bens S/A, empresa vinculada ao advogado Willer Tomaz.
Como o suposto esquema de lavagem de dinheiro não teria funcionado de forma linear, os investigadores identificaram, em fevereiro de 2024, movimentações financeiras entre contas relacionadas às empresas JOTA Comunicação S/A, Holding Patrimonial LTDA e DJ Agropecuária Comércio e Prestação de Serviços LTDA.
A JOTA seria o empreendimento ligado ao senador, segundo a PF, devido aos vínculos societários e administrativos mantidos por familiares de Weverton Rocha. A Holding Patrimonial seria utilizada para movimentar valores de interesse do parlamentar, enquanto a DJ Agropecuária teria recebido repasses considerados expressivos pelos investigadores.
As tratativas sobre a compra do imóvel teriam ocorrido entre Samya Rocha, esposa do senador, e Fayla Menezes, identificada no celular de Weverton como “Financeiro WT”. Ela é apontada como operadora financeira de empresas ligadas a Willer Tomaz.
Ainda conforme a investigação, houve uma tentativa de utilizar a conta pessoal de Samya para o recebimento de R$ 500 mil. O senador teria sido informado de que a operação seria realizada com mais rapidez por meio de contas jurídicas. Apesar disso, valores superiores a R$ 11 milhões foram recebidos na conta de Fayla, segundo a PF.
Willer Tomaz é apontado pelos investigadores como uma das pessoas responsáveis pela operacionalização do suposto esquema, envolvendo empresas, imóveis, aeronaves, pilotos, funcionários, operadores financeiros e interlocutores políticos. Para a PF, a estrutura teria funcionado como um “hub financeiro, patrimonial e logístico”.
Em nota, o advogado informou que não é investigado na operação e afirmou que foi alvo de busca e apreensão apenas por ter emprestado uma de suas aeronaves para o transporte do senador.
Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.



