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Randolfe rebate oposição e reforça papel do governo Lula na apuração de fraudes no INSS

Líder do governo afirma que fraudes no INSS acontecem desde 2017, critica vetos e omissões do governo Bolsonaro e acusa a oposição de transformar a CPMI em palanque eleitoral

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Senador Randolfe Rodrigues  • Marcos Oliveira | Agência Senado

A CPMI do INSS entrou em uma nova fase nesta semana, com o início das oitivas e a reorganização das forças políticas dentro da comissão. O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), aproveitou o segundo dia de reuniões para responder às críticas da oposição e defender a atuação do Executivo nas investigações que miram um esquema bilionário de descontos ilegais em aposentadorias e pensões.

O parlamentar falou com jornalistas após uma sessão reservada com um delegado da Polícia Federal e o depoimento público da defensora Patrícia Oliveira, primeira a formalizar denúncias contra as fraudes.

Investigação sob sigilo e o papel da Polícia Federal

Randolfe lembrou que parte da apuração permanece em sigilo, por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, é fundamental respeitar essa condição para não comprometer a coleta de provas: “Não estamos falando de um processo concluído, mas de um inquérito em curso. Abrir informações agora pode isentar aqueles que roubaram dinheiro dos aposentados e pensionistas”, afirmou. O senador ressaltou que o governo não teme investigações porque foi justamente sob Lula que a Polícia Federal deflagrou a Operação “Sem Descontos”, em abril deste ano, interrompendo parte dos prejuízos.

Fraudes antes de Lula: de 2017 a 2022

Ao comentar o depoimento da defensora pública, Randolfe reforçou a narrativa de que as fraudes não nasceram na atual gestão:

  • Denúncias já circulavam desde 2017 e foram formalizadas em 2019;
  • O governo Bolsonaro teria perdido a chance de estancar o esquema ao vetar trecho da MP 671, que impedia a transferência de dados de beneficiários;
  • Em 2022, uma nova medida provisória revogou regras de transparência sobre cadastros do INSS, abrindo espaço para o crescimento do esquema.

“Se houvesse transparência, se não tivesse ocorrido o veto, esse escândalo não teria atingido essa magnitude”, disse Randolfe.

A disputa dentro da CPMI

O líder governista falou em um momento de recomposição de forças no colegiado. Após perder presidência e relatoria para a oposição, o governo trocou sete integrantes, ampliando a bancada do PT de cinco para sete membros. A mudança busca reduzir riscos de deserção e consolidar o partido como linha de frente da defesa de Lula.

  • Nomes tradicionais como Renan Calheiros (MDB-AL) e Omar Aziz (PSD-AM) optaram por deixar a CPMI, transferindo ao PT a responsabilidade de enfrentar o embate político;
  • Do lado da oposição, houve reforço da chamada “tropa de choque”, com a entrada de Silas Câmara (Republicanos-AM) e Paulinho da Força (Solidariedade-SP).

Segundo Randolfe, esse novo equilíbrio mostra que a base “aprendeu com as omissões e traições das primeiras sessões” e agora está mais preparada para evitar derrotas regimentais.

Críticas à estratégia da oposição

Apelos por uma investigação ampla

O senador cobrou do relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), que não restrinja a apuração a nomes selecionados:

  • Convocar representantes de todas as dez entidades envolvidas, incluindo a ASBAC e a AMBEC;
  • Rastrear festas e eventos promovidos por dirigentes das associações;
  • Apurar doações de campanha feitas por integrantes do esquema a políticos, inclusive, segundo ele, a adversários de Lula em 2022.

“Me disseram que um presidente de associação envolvida contribuiu para a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro. Isso precisa ser investigado”, afirmou.

Contexto da investigação

A CPMI apura um rombo estimado em R$ 6,3 bilhões em descontos indevidos em aposentadorias e pensões.

  • O esquema envolvia associações que cobravam taxas de beneficiários sem autorização;
  • A Ambec (Associação de Benefícios Mútuos dos Empregados da Caixa Econômica Federal) sozinha arrecadou R$ 231 milhões entre 2022 e 2024;
  • A Operação “Sem Descontos” da PF revelou ainda suspeitas de uso de “laranjas” ligados ao setor de saúde e de financiamento de facções criminosas a partir desses recursos.

Segundo Randolfe, essa última frente, sobre o elo com organizações criminosas, mostra o alcance das investigações sob o governo Lula: “Hoje mesmo a Polícia Federal atingiu próceres de fintechs situadas na Faria Lima que financiavam o PCC. Isso só é possível porque neste governo há independência das instituições.”

O que vem pela frente

A agenda da CPMI prevê:

  • Convocação de ex-ministros da Previdência dos governos Dilma Rousseff, Michel Temer, Jair Bolsonaro e Lula;
  • Depoimento de dez ex-presidentes do INSS;
  • Chamadas de diretores de benefícios, que atravessaram gestões distintas, para explicar por que não interromperam fraudes que já estavam em curso;
  • Comparecimento do atual ministro da Previdência, Wolney Queiroz, em data ainda a ser definida.

Disputa de narrativas

Na avaliação de Randolfe, a oposição tenta colar a imagem do escândalo ao governo Lula, mas, segundo ele, “não conseguirá”.

Investigações só existem porque este governo as iniciou. Foi neste governo que se restituiu mais de 80% dos aposentados lesados até agora. A diferença entre nós e eles é clara: enquanto eles fazem palanque, nós fazemos investigação”, disse ele.

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Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.

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