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Quem são os ministros do STF e o PGR na mira da CPI do Crime Organizado

Relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado teve apenas quatro indiciados, três deles são ministros da Suprema Corte

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Moraes, Toffoli e Gilmar estão nos pedidos de indiciamento de relatório final da CPI do Crime Organizado
Moraes, Toffoli e Gilmar estão nos pedidos de indiciamento de relatório final da CPI do Crime Organizado • Victor Piemonte/STF

O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado foi apresentado nesta terça-feira (14) pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) com pedido de indiciamento de figuras do primeiro escalão em Brasília, como os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes; e o Procurador-Geral da República (PGR), Paulo Gonet.

 

Para justificar o pedido de indiciamento aos magistrados da Suprema Corte, Vieira aponta o possível cometimento de crime de responsabilidade, o que pode fundamentar um pedido de impeachment. Já o PGR entrou no relatório por suposta omissão em não determinar a investigação sobre a relação dos ministros do STF com o escândalo do Banco Master.

 

O relatório ainda precisa ser votado pelos integrantes da CPI, o que deve acontecer em sessão marcada para as 14h desta terça. Os três ministros e Gonet são os únicos indiciados no texto final da comissão.

 

Embora criada originalmente para investigar a atuação de facções criminosas no país, em especial os grandes grupos no narcotráfico, a comissão migrou a atenção para o escândalo do Banco Master.

 

Veja os motivos apresentados para os pedidos de indiciamento:

 

Dias Toffoli

 

No pedido de indiciamento de Toffoli, Vieira argumenta que o ministro praticou atos favoráveis aos investigados do Banco Master mesmo sendo relator do caso no Supremo. O senador cita a imposição de sigilo máximo aos documentos do processo e a soltura do banqueiro Daniel Vorcaro em sua argumentação.

 

O relatório cita ainda a empresa familiar do ministro, a Maridt Participações, que mantinha relações financeiras com um fundo controlado por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e já preso preventivamente no âmbito das investigações do escândalo do Master. 

 

O indiciamento de Toffoli foi pedido a partir dos atos de “proferir julgamento sendo suspeito na causa” e de “proceder de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro de suas funções”.

 

Alexandre de Moraes 

 

No caso de Moraes, Alessandro Vieira afirma que o escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, recebeu cerca de R$ 80 milhões do Banco Master para estabelecer vínculos de relacionamento com o poder público.

 

O relatório também cita indícios de que o magistrado realizou interlocuções junto ao Banco Central em favor do Master e usou o aparato jurisdicional para investigar quem revelou o conflito de interesses.

 

O indiciamento de Moraes se dá a partir da alegação de que o ministro “proferiu julgamento sendo suspeito na causa” e por “proceder de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro de suas funções”, as mesmas causas alegadas para Toffoli.

 

Gilmar Mendes

No caso de Gilmar Mendes, Vieira afirma que o ministro concedeu decisões para anular a quebra de sigilo da empresa Maridt, ligada a Toffoli. Segundo o relator, o magistrado usou uma manobra processual ao desarquivar um processo antigo relativo à CPI da Covid para atuar como juiz no caso Master mesmo com a relatoria do caso sob os desígnios do ministro André Mendonça

O pedido de indiciamento de Gilmar foi feito a partir da alegação que o ministro “procedeu de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro de suas funções”.

 

Paulo Gonet

No caso do procurador-geral, Alessandro Vieira afirma que houve uma omissão deliberada diante de indícios públicos e robustos de crimes de responsabilidade praticados por ministros do STF. Segundo o relator da CPI, munido de informações da Polícia Federal (PF) e notícias veiculadas pela imprensa, Gonet deveria ter feito investigações e, ao não fazê-lo, incorreu em uma blindagem indevida de autoridades.

Paulo Gonet teve seu pedido de indiciamento definido por “ser patentemente desidioso no cumprimento de suas atribuições”.

 

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.