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Presidente do PSDB em Minas defende Ciro Gomes como alternativa a Lula e Flávio

O tucano é cotado para disputar o governo do Ceará em aliança com o grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no estado

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Marina Ramos / Câmara dos Deputados.

O presidente estadual do PSDB em Minas Gerais, deputado federal Paulo Abi-Ackel, defendeu o correligionário Ciro Gomes como possível nome para combater a polarização política entre o presidente Lula (PT) e o clã Bolsonaro na disputa pela presidência da República.

Na última terça-feira (14), uma eventual candidatura de Ciro ao Palácio do Planalto foi defendida pelo presidente nacional da legenda, deputado Aécio Neves. O tucano, no entanto, disse que iria avaliar a proposta.

Em entrevista ao Dia a Dia da Política, Abi-Ackel afirmou que não podia garantir que Ciro sairia como candidato pela quinta vez, uma vez que o ex-ministro é cotado para concorrer ao governo do Ceará. "Para mim, ele [Ciro] pareceu muito motivado com essa hipótese. Ficou muito grato e acho que seria um excelente nome para ampliar o debate, para mostrar ao brasileiro que é possível ver além dessa polarização", disse.

De acordo com o presidente estadual da legenda, embora o tucano não tenha aceitado de prontidão o convite de Aécio Neves, ele teria levado a proposta para o Ceará, onde iria discutir a possibilidade com aliados. "Ele foi ao Ceará para ver como lidar com essa questão com o eleitorado de lá. Saiu de Brasília muito feliz com a possibilidade, com o desafio e mostrando-se disposto a aceitar. Não sei como ele irá lidar com as lideranças cearenses", justificou.

Alianças com o PL no Ceará

No Ceará, Ciro abriu o leque de alianças políticas e se juntou ao grupo liderado pelo deputado federal André Fernandes (PL-CE), presidente estadual do Partido Liberal no estado.

Segundo Abi-Ackel, o gesto de aproximação do tucano se trata de uma convergência em torno de uma causa em comum: impedir a reeleição de Elmano de Freitas (PT-CE), atual governador.

Na avaliação do mineiro, uma eventual saída de cena de Ciro para disputar a Presidência não prejudicaria a aliança firmada com a sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que tem o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como pré-candidato à presidência. Abi-Ackel descarta uma aproximação, nesse nível, com a ala bolsonarista, já que o tucano, segundo ele, é "um homem de ideias progressistas". "O Ciro não pode jamais ser misturado com, digamos, a direita brasileira. Ele é um homem de ideias progressistas, está no que chamamos de centro. O PL fazer parte da coligação dele [no Ceará] não o condiciona, caso seja candidato ao Planalto", declarou.

Com o cenário eleitoral se desenhando para a disputa em outubro, Abi-Ackel diz que o eleitorado de centro está "sem opções". À Itatiaia, o deputado afirmou que, se Ciro declinar do convite, a outra possibilidade seria postular a candidatura de Aécio à presidência. "Não sendo o Ciro, é difícil imaginar outro nome. Antes tivéssemos muitas opções, mas não temos. Deus permita que ele aceite, embora o povo do Ceará possa ficar não tão satisfeito com isso. Mas, não sendo o Ciro, é preciso que o centro político encontre alguém. É natural que surja especulação em torno do Aécio também", justificou.

De acordo com ele, Aécio Neves descarta totalmente uma recondução à Câmara dos Deputados. O parlamentar, no entanto, ainda não descarta sair como candidato ao Senado ou até mesmo ao governo de Minas.

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Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.