Belo Horizonte
Itatiaia

Derrota de Messias: Minas Gerais vive hiato de 20 anos sem indicações para o STF

A última mineira a ter sido indicada para uma cadeira no STF foi Cármen Lúcia, em maio de 2006, nomeada pelo presidente Lula

Por
Supremo Tribunal Federal
Supremo Tribunal Federal • Fabio Rodrigues | STF

Em meio à derrota histórica do governo Lula após a reprovação do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), um levantamento da coluna Poder em Minas aponta que há 20 anos nenhum mineiro é indicado para uma vaga na Corte.

O movimento ocorre após o ex-presidente do Congresso Nacional e senador pelo estado Rodrigo Pacheco (PSB) ter sido preterido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na indicação para a Suprema Corte no ano passado.

A última mineira a ter sido indicada para uma cadeira no STF foi Cármen Lúcia, em maio de 2006, nomeada pelo presidente Lula. No período, foram escolhidos 12 ministros com atuação em outros estados:

  • Menezes Direito: indicado por Lula em 2005, nascido no Pará e com carreira feita no Rio de Janeiro.
  • Dias Toffoli: indicado por Lula em 2009, nascido e fez parte da carreira em São Paulo. Atuou também como jurista em Brasília.
  • Luiz Fux: indicado por Dilma Rousseff em 2011, nascido e com histórico de atuação jurídica no Rio de Janeiro.
  • Rosa Weber: indicada por Dilma Rousseff em 2011. Nasceu e trabalhou sempre no Rio Grande do Sul antes de se tornar ministra do STF.
  • Teori Zavascki: indicado por Dilma Rousseff em 2012. Nasceu em Santa Catarina, mas atuou como jurista no Rio Grande do Sul e Brasília.
  • Luís Roberto Barroso: indicado por Dilma Rousseff em 2013. Nasceu e fez carreira no Rio de Janeiro.
  • Edson Fachin: indicado por Dilma Rousseff em 2015. Nasceu no Rio Grande do Sul, mas o trabalho na carreira jurídica foi no Paraná.
  • Alexandre de Moraes: indicado por Michel Temer em 2017. Nascido em São Paulo, onde dedicou sua carreira no Direito.
  • Nunes Marques: indicado em 2020 por Jair Bolsonaro. Nasceu e fez carreira no Piauí.
  • André Mendonça: indicado por Jair Bolsonaro em 2021. Nasceu em São Paulo, mas teve atuação principalmente em Brasília.
  • Cristiano Zanin: indicado por Lula em 2023. Nasceu e trabalhou sempre como jurista em São Paulo.
  • Flávio Dino: indicado por Lula também em 2023. Nascido e com carreira política e jurídica no Maranhão.

Minas figura como o segundo estado brasileiro com mais ministros indicados na história do Supremo Tribunal Federal, com 33 nomes desde a sua fundação. Contudo, parte deles somente nasceu no estado, sem que houvesse grande atuação jurídica ou política em terras mineiras.

A presença do estado no Supremo Tribunal Federal foi pequena nos últimos 50 anos. Desde 1975, foram apenas 4 indicações de juristas com forte atuação em Minas Gerais: Cunha Peixoto, em 1975, no Governo Militar de Ernesto Geisel, Oscar Dias Correa, ainda no período da ditadura, indicado em 1982 no Governo João Baptista Figueiredo, Carlos Veloso, em 1990, nomeado pelo presidente Fernando Collor, e por último, Cármen Lúcia, em 2006, no Governo Lula.

Os quatro nasceram em Minas Gerais e tiveram carreira jurídica, acadêmica ou política no próprio estado. Cunha Peixoto nasceu em Teófilo Otoni, Oscar Dias Correa em Itaúna, Carlos Veloso em Entre Rios de Minas e Cármen Lúcia, em Montes Claros.

No período, ainda ocuparam uma cadeira no Supremo Tribunal Federal cinco ministros que nasceram em Minas Gerais, mas não permaneceram, nem fizeram carreira no Estado.

São eles: Décio Miranda, nascido em Carangola, Francisco Rezek, natural de Cristina, Sepúlveda Pertence, que nasceu em Sabará, Maurício Corrêa, de Manhuaçu, e Joaquim Barbosa, natural de Paracatu.

Por

Eustáquio Ramos tem quase 30 anos de carreira, sendo 25 anos na Itatiaia, onde apresenta o Jornal da Itatiaia 1ª Edição e é repórter especial de Política. É pós-graduado em Comunicação Empresarial. Coautor da Enciclopédia do Rádio Esportivo Mineiro e do Manual de Pronúncia da Itatiaia. Foi ganhador do 4º Prêmio CDL-BH de Jornalismo. Já foi homenageado, entre outras condecorações, com a Medalha da Inconfidência, Medalha da Ordem do Mérito Imperador Dom Pedro 2º, Medalha de Mérito da Defesa Civil Estadual e Oscar Solidário. Já teve passagens também pela TV Assembleia, TV Bandeirantes, TV Horizonte, Record, Alterosa e Canal 23.