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PF investiga vazamento de informações sigilosas do STJ a Willer Tomaz

Polícia Federal encaminhou à PGR uma troca de mensagens entre o ex-secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação, já exonerado do STJ, e o advogado; defesa de Willer diz que o sistema do órgão permite conhecimento antecipado de julgamentos

Por, Brasília
STJ
STJ • Marcello Casal Jr/Agência Brasil
A Polícia Federal (PF) realizou operação, nesta segunda-feira (19), sobre um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O ex-servidor e ex-secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação, Humberto Fontoura Pradera, é quem teria facilitado o acesso à informação de processos em andamento para o advogado Willer Tomaz.

De acordo com as investigações, ele teria repassado minutas de decisões judiciais e documentos do Ministério Público Federal (MPF). A suspeita é de que os materiais fossem compartilhados antes da divulgação oficial, permitindo o conhecimento antecipado de informações processuais.

Os agentes cumpriram um mandado de busca e apreensão no Distrito Federal (DF). Segundo a PF, a investigação busca esclarecer se houve violação de sigilo funcional, acesso indevido a sistemas e participação de outras pessoas nas irregularidades. A corporação também apura possíveis crimes de corrupção ativa e passiva, peculato eletrônico e lavagem de dinheiro.

O ex-secretário foi exonerado na última sexta-feira (16), por determinação do presidente do STJ, ministro Luis Felipe Salomão, após um relatório da Polícia Federal (PF), encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), evidenciar uma troca de mensagens entre o servidor e o advogado. O tribunal também abriu procedimento administrativo para apurar o episódio.

Em nota, a Corte explicou que o investigado ocupava um cargo de confiança, portanto já havia sido exonerado. Além disso, afirmou que não comenta medidas criminais que seguem sob sigilo.

Advogado é amigo próximo de Flávio Bolsonaro

Willer Tomaz é um advogado conhecido por atuar em processos de grande repercussão. Desde o governo de Jair Bolsonaro, o profissional fez parte do círculo de influência do ex-presidente. Seu nome apareceu recentemente ligado ao candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, por causa da viagem dele no jatinho que Willer tinha uma participação, junto com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. 

Em janeiro de 2025, o senador teria usado a aeronave para ir dos Estados Unidos para Brasília com a família. Willer confirmou ter custeado o voo e afirmou que o senador era seu convidado.

Além disso, a PF apura investigação que relacionam Flávio Bolsonaro ao advogado Willer Tomaz. Apesar de serem duas frentes, elas estão conectadas a um mesmo inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF). Uma envolve suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas em movimentações financeiras por meio de empresas de apostas; a outra é relacionada à operação de hoje.

Defesa nega irregularidades

Em nota, a defesa do advogado nega ter recebido informações antecipadas e informa que o sistema do STJ permite o conhecimento antecipado de julgamentos. Portanto, a utilização de argumentos apresentados por advogados em pareceres faz parte da atividade jurídica.

“A ciência antecipada de julgados no Superior Tribunal de Justiça não é crime: é funcionalidade prevista no próprio sistema da Corte”, afirmaram.

O posicionamento também questiona a divulgação das suspeitas durante a campanha eleitoral. A defesa diz desconhecer o relatório mencionado nas reportagens e critica a exposição de pessoas que, segundo ela, não têm relação com os fatos investigados.

“Ilegal, este sim, é o vazamento de material sigiloso, cujos autores serão identificados e responsabilizados”, concluiu a nota.

Por

Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.

 

 

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