PF abre investigação para apurar relação entre Flávio Bolsonaro e suspeito por escândalo do INSS
A Polícia Federal abriu inquérito para investigar supostos crimes financeiros envolvendo Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o advogado Willer Tomaz. A apuração foca em lavagem de dinheiro e evasão de divisas, com foco em movimentações bancárias e relação com apostas.

A Polícia Federal (PF) abriu inquérito para apurar supostos crimes financeiros na relação entre o candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o advogado e empresário Willer Tomaz.
A investigação foi distribuída ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira (16) e tem como relator o ministro Alexandre de Moraes.
Segundo relatos feitos à CNN, o inquérito está sob a coordenação do núcleo de combate à lavagem de dinheiro e evasão de divisas da Polícia Federal.
A PF apura ainda a atuação do advogado em relação a eventuais indícios de favorecimento a empresa de apostas esportivas e fraude na licitação da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj).
A apuração foi iniciada com base em informações obtidas na nuvem de dados de Willer, que foi alvo de busca e apreensão em agosto da Sem Desconto.
A análise é focada na atuação do advogado e aponta "movimentações bancárias de elevada materialidade" e "circulação antecipada de documentos relacionados a processos judiciais".
Sobre o candidato a presidente, a apuração aponta que Flávio teria dividido uma conta bancária com Willer. O indício foi encontrado em troca de e-mails de uma instituição bancária com o escritório de advocacia do amigo do senador fluminense.
Tomaz é um dos donos da aeronave em que Flávio viajou, em janeiro de 2025, e que era administrada por uma empresa ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
A assessoria de imprensa de Flávio negou a existência da conta bancária conjunta. Já Tomaz divulgou nota em que afirma que a informação "não condiz com a verdade".
Os detalhes da apuração indicam, por meio de fotografias do celular do advogado, "relação de proximidade" entre Flávio e Willer, com referências a "festas, encontros e reuniões".
A investigação sobre a atuação do advogado aponta, por exemplo, elevada movimentação em plataforma de apostas que chegou a R$ 35 milhões, bem como saques em casas de apostas no exterior.
A investigação da Polícia Federal (PF) também apura relação do advogado com o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. A apuração é sobre um pregão presencial da Loterj vencido pela empresa Pixs.
A suspeita é de que teria havido "facilitação dos interesses da empresa perante a autarquia". A investigação pondera, porém, que o indício ainda carece de investigação.
Em nota, o advogado e empresário disse que "causa estranheza o vazamento da investigação a poucas horas do debate entre os candidatos a presidente".
"Trata-se do uso indevido do aparato policial com o claro propósito de requentar acusações infundadas e interferir no resultado das urnas", afirmou.
Segundo Willer, não houve circulação de recurso com empresas de aposta e, portanto, "inexiste qualquer movimentação financeira irregular".
"É igualmente inaceitável que a quebra do sigilo telemático sirva de instrumento para uma pescaria probatória destinada a fabricar falsos escândalos com fins político-eleitorais", ressaltou.
Flávio também é investigado no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF) por uma apuração sobre o filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O foco também é se teria havido lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
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