PF finaliza inquérito e indicia Lucas Ganem por fraude em domicílio eleitoral
Polícia Federal concluiu que vereador de Belo Horizonte jamais residiu na cidade e forneceu um endereço de fachada para registrar sua candidatura na capital mineira

A Polícia Federal indiciou Lucas Ganem (Podemos), vereador licenciado de Belo Horizonte, por fraude na apresentação de domicílio eleitoral na capital mineira nas eleições de 2024. O inquérito foi concluído na quarta-feira (1º) e enviado à Câmara Municipal com a conclusão de que o parlamentar nunca morou na cidade, apesar de tê-lo alegado ao registrar sua candidatura.
A conclusão da investigação aponta que Ganem nunca residiu ou sequer pernoitou no endereço fornecido à Justiça Eleitoral como sua residência no Bairro Trevo, na região da Pampulha. Segundo o inquérito, a informação foi corroborada por documentos do proprietário do imóvel, moradores locais e o próprio investigado.
O dono da casa informou à PF que cedeu o endereço para recebimento de correspondências, mas não sabia que o local seria registrado como domicílio eleitoral. Para concorrer nas eleições municipais, o candidato precisa ter um endereço registrado na cidade ao menos por seis meses antes do pleito.
A PF aponta ainda que Ganem admitiu que só se mudou efetivamente para Belo Horizonte em novembro ou dezembro de 2024, quando já tinha sido eleito. Antes do sucesso nas urnas, ele se hospedava em hotéis ou alugava casas via AirBnb para pequenos períodos. As investigações também demonstraram que o vereador manteve um vínculo empregatício e residência em Curitiba-PR até novembro de 2024.
A conclusão da investigação reforça o arcabouço de provas para a comissão de cassação do parlamentar, atualmente suspenso na Câmara de BH. O vereador também responde a um processo na Justiça Eleitoral.
Relembre o caso
As primeiras suspeitas sobre a possível fraude eleitoral cometida por Ganem foram publicadas originalmente pelo portal O Fator já em outubro de 2024, semanas após a eleição. A reportagem mostrou também que o então vereador eleito integra uma família de candidatos que se baseia na defesa dos direitos dos animais para montar campanhas supraterritoriais em diferentes cidades e estados do país.
O caso então passou a ser formalmente investigado. Rubão, primeiro suplente do Podemos, acionou o Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Em dezembro de 2025, a corte determinou a cassação do parlamentar. Ganem recorreu da decisão e o caso ainda não foi avaliado por instâncias superiores.
Um mês antes, em novembro de 2025, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) já havia emitido um parecer pela cassação do vereador. O documento apontava que a própria Justiça Eleitoral teve dificuldades de encontrar o então candidato no endereço informado como seu domicílio na capital mineira.
Em paralelo aos andamentos do caso na Justiça, a Câmara Municipal de BH aprovou a abertura de um processo de cassação de Ganem. Uma comissão processante chegou a ser formada e a listar as testemunhas a serem ouvidas pelos parlamentares em janeiro deste ano.
No entanto, Ganem conseguiu suspender o processo judicialmente. A Câmara de BH recorreu da decisão e, em 21 de março, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) manteve a suspensão do rito de cassação do vereador.
Em dezembro de 2025, Ganem pediu uma licença de quatro meses na Câmara de BH e está afastado do cargo desde então. Neste ínterim, o parlamentar chegou a declarar que pretende concorrer a deputado estadual no pleito de outubro.
Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.
