Petistas acionam PF para investigar possível ligação de Flávio com suspeitos de fraude no INSS
Deputados do PT pedem cruzamento de dados financeiros e apontam conexões entre escritório de advocacia do senador e investigados na Operação Sem Desconto

Os deputados federais Alencar Santana (PT-SP) e Rogério Correia (PT-MG) apresentaram nesta terça-feira (25) uma notícia de fato à Polícia Federal pedindo a abertura de investigação sobre possíveis vínculos entre o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), seu escritório de advocacia e pessoas investigadas na Operação Sem Desconto, que apura um esquema bilionário de descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
Na representação, os parlamentares solicitam que a PF realize o cruzamento de dados bancários, fiscais, financeiros e societários para verificar se recursos supostamente desviados chegaram, direta ou indiretamente, ao senador ou a pessoas ligadas ao seu escritório.
Segundo os deputados, um dos principais pontos levantados é a atuação de Letícia Caetano dos Reis, administradora da sociedade de advocacia de Flávio Bolsonaro desde a criação do escritório. Ela é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, citado em relatório da própria Polícia Federal como sócio de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS" e apontado como um dos principais operadores do esquema investigado.
A representação também menciona o advogado Willer Tomaz, apontado como responsável pela indicação de Letícia ao escritório de Flávio Bolsonaro. De acordo com os parlamentares, relatórios de inteligência financeira registram cerca de R$ 45,5 milhões em movimentações relacionadas a Willer Tomaz, além de um pagamento de R$ 120 mil a um operador financeiro ligado ao Careca do INSS.
Os deputados afirmam ainda que apresentaram sete requerimentos na CPMI do INSS para aprofundar a apuração dessas conexões, incluindo pedidos de convocação de Flávio Bolsonaro e de acesso a informações financeiras do senador, de seu escritório e de Letícia Caetano dos Reis. Segundo eles, os requerimentos não chegaram a ser votados pela presidência e pela relatoria da comissão.
Em nota, Alencar Santana e Rogério Correia afirmaram que, apesar de a CPMI não ter deliberado sobre os pedidos, as investigações devem prosseguir. Segundo os parlamentares, a Polícia Federal deve apurar se houve qualquer relação financeira entre o esquema investigado e pessoas ligadas ao senador.
Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.


