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Para contar com dinheiro em caixa em 1º de janeiro, Governo de MG precisa aprovar aumento do ICMS até o fim do mês

Executivo corre contra o tempo para aprovar projeto de autoria de Romeu Zema (Novo); deputados projetam 'batalha longa' na Assembleia 

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Governo tenta aprovar, com pressa, projeto sobre ICMS para contar com recursos no início de 2024
Governo tenta aprovar, com pressa, projeto sobre ICMS para contar com recursos no início de 2024 • Guilherme Dardanhan/ALMG

Para conseguir contar, em caixa, com o adicional do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre bens supérfluos já a partir de 1º janeiro de 2024, o Governo de Minas precisa correr contra o tempo e aprovar o projeto de lei até o dia 30 de setembro. 

O projeto, de autoria do governador Romeu Zema (Novo), pretende tornar permanente o adicional de dois pontos percentuais sobre produtos, como bebidas alcoólicas, cigarro, perfumes, cosméticos e rações para animais domésticos. A matéria está na pauta de votações em plenário desta terça-feira (19).

Para se aumentar qualquer imposto estadual, a Constituição Mineira exige um prazo de 90 dias para o aumento na tributação. Dessa forma, caso o projeto de lei seja sancionado até 30 de setembro, o recurso adicional começaria a cair no caixa do estado a partir de 1º de janeiro. Se a tramitação se estender por mais tempo, é possível que o Executivo mineiro só passe a contar com esses recursos em 2025.

"A matéria tributária tem dois princípios, o da noventena e o da anterioridade. O da noventena exige que o projeto de lei possa vigorar em até 90 dias após a sua sanção. Já o princípio da anterioridade prevê que, se virar o ano sem a aprovação e for aprovado somente em janeiro de 2024, ele só vale para 2025", explica o deputado governista, Rodrigo Lopes (União Brasil).

O tempo para o governo é curto e a missão de convencer todos parlamentares da base não é uma tarefa fácil. A reportagem apurou que o texto enviado por Zema à Assembleia Legislativa está longe de ser uma unanimidade entre os parlamentares governistas. 

Há um entendimento de alguns parlamentares que alguns produtos, como cerveja e ração para animais domésticos, por exemplo, não deveriam ser enquadrados como bens supérfluos. Os deputados não querem receber o "carimbo" de ter sido responsáveis por taxar mercadorias tão populares como estas. Faltando pouco mais de um ano para as eleições municipais, esse peso torna-se ainda maior.

Deputados ligados à indústria e ao setor produtivo também estão preocupados que a taxa adicional possa fazer com que alguns setores em Minas Gerais possam perder competitividade para outros estados. É o caso do próprio deputado Rodrigo Lopes. Apesar de pertencer a base de Zema e entender a necessidade de criar medidas para melhorar a arrecadação do estado, o parlamentar afirmou que o ICMS complementar pode prejudicar, por exemplo, o setor de vinhos, que movimenta a economia no Sul de Minas.

"É uma pauta delicada e sensível. Eu falo que cada parlamentar tem a sua dificuldade. Eu tenho uma sensibilidade muito grande no que diz respeito ao vinho. A minha cidade é a maior produtora de vinho do estado de Minas Gerais. O vinho, considerado uma bebida alcoólica, acaba integrando a lista de produtos supérfluos, porém, o vinho é o produto que mais chama turistas", explica.

Em uma entrevista recente à Itatiaia, o próprio líder de governo afirmou que será uma longa batalha para aprovar o projeto na Assembleia. O próprio governador chegou a comentar sobre o assunto, durante uma viagem à Europa. De acordo com Zema, o governo não pretende aumentar impostos mas voltar à alíquota que vigorou até o fim de 2022.

Impacto do imposto

A deputada de oposição, Bella Gonçalves (Psol), afirma que a alteração no ICMS vai impactar diretamente a população mais pobre que vive em Minas Gerais. 

"A gente precisa taxar, sim, as fortunas, itens como armas e jatinhos, mas não itens de utilização básica para a população, como cosméticos, rações para pets, e outros que estão listados como supérfluos mas não são. Eu perguntaria ao governador Zema se protetor solar é um item supérfluo. Se o esmalte, utilizado pela economia popular das manicures é um item supérfluo. Se a alimentação de animais, que convivem com a gente, é um item supérfluo", argumenta a parlamentar.

Com o ICMS complementar, o governo mineiro projeta arrecadar entre R$ 800 milhões e R$ 1,2 bilhão.

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Correspondente da Rádio Itatiaia em São Paulo. Apresentador do quadro Palavra Aberta e debatedor do Conversa de Redação. Ingressou na emissora em 2023. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. No rádio, teve passagens pela Alvorada FM, BandNews FM e CBN, no Grupo Globo. Na Band, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na Band News FM BH. Na televisão, participava diariamente da TV Band Minas e do Band News TV. Vencedor de nove prêmios de jornalismo. Em 2023, foi reconhecido como um dos 30 jornalistas mais premiados do Brasil.